- Irãs atravessam o posto fronteiriço de Kapıköy, na fronteira com a Turquia, para fugir da guerra e do corte de internet imposto pelo regime.
- Segundo o Unhcr, quase 64 mil iranianos chegaram à Turquia entre 3 e 30 de março, e mais de 48 mil voltaram ao Irã; o movimento ainda é menor que o registrado antes do conflito.
- A Turquia planeja preparar zonas de proteção e acampamentos para até 90 mil pessoas caso haja aumento no deslocamento, embora, até agora, não seja necessário.
- Dentro do Irã, muitas pessoas se deslocam para regiões do norte próximas ao mar Cáspio; algumas empresas estatais pediram retorno ao trabalho diante da crise.
- Relatos no posto indicam que alguns viajantes seguem para destinos distantes, como Europa e outros países, em busca de segurança e de ficar perto de familiares em risco.
O Kapıköy, passagem entre a Turquia e o Irã, continua recebendo deslocamentos de iranianos. Muitos cruzam a fronteira enquanto alguns retornam ao Irã, em meio a bombardeios noturnos e cortes de internet. A movimentação ocorre sob a influência do conflito atual na região.
Segundo a agência da ONU para refugiados (UNHCR), entre 3 e 30 de março cerca de 64 mil iranianos entraram na Turquia e mais de 48 mil retornaram ao Irã. O volume atual é menor que o registrado antes do conflito, quando passavam pela fronteira cerca de 5 mil pessoas por dia.
Amir Hesam, de 33 anos, descreve a travessia de Tehran a um destino ainda não definido. Ele relata ausência de internet e perda de renda, agravadas pelos bombardeios noturnos a cidades próximas, bases militares e áreas industriais. A esperança reside na mudança do regime, segundo ele.
Uma farmacologista de Teerã viaja para visitar suas três filhas na Europa e ficará cerca de três meses longe. Ela menciona a exaustão coletiva diante da crise e expressa cansaço com o regime, sugerindo que a população possa buscar mudanças.
Outras histórias chegam de dentro do Irã. Pessoas relatam vida com constante ansiedade, sem sirenes ou abrigos confiáveis, e relatos de ferimentos quando se aproximam de janelas para observar os ataques. Ladeiras de áreas atingidas são citadas por moradores de Teerã.
Interiormente, muitos iranianos retornam a cidades como Teerã e outras, em parte para ficar próximos de familiares. Bancos e empresas estatais começam a convocar funcionários, enquanto continuam os impactos econômicos e energéticos da guerra e das sanções.
Entre os deslocados, três casos econômicos ganham destaque: um comerciante de viagens que encerrou por completo as operações; um homem que prepara a família para pelo menos dois meses de ausência e teme o futuro; e moradores próximos a aeroportos descrevem noites de ruídos altos seguidos de explosões.
Outros relatos apontam que alguns retornam do lado turco para buscar apoio de parentes, inclusive profissionais de saúde. Um casal, ambos médicos vivendo no Canadá, relata o impacto da crise na família, com a mãe de uma das entrevistadas falecida após o estresse da guerra.
Ainda segundo especialistas, a guerra tem gerado interrupções em serviços básicos como energia, água e combustível, o que pode intensificar movimentos migratórios caso se intensifiquem. A organização internacional monitora os desdobramentos e as condições de vida da população.
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