- O PL abriu saldo positivo de doze deputados até segunda-feira, com dezenove filiações e sete desfiliações, tornando-se a maior bancada da Câmara ao passar de cem parlamentares titulares.
- O União Brasil registrou perda de dezesseis deputados, com dezenove saídas e apenas três novas filiações, e parte dessas baixas favoreceu o PL.
- Mais de cinquenta deputados já trocaram de partido desde o início da janela, que se encerra nesta sexta-feira, permitindo mudanças sem perder o mandato por infidelidade.
- Além do PL, Centrão tenta expandir espaço com PSD e Republicanos, enquanto MDB, Podemos e outras siglas também movimentam-se; alguns dissidentes do União Brasil migraram para o PL.
- Especialistas apontam que a migração reflete a antecipação da disputa eleitoral de 2026 e a busca por maior capacidade de sobrevivência política, com a federação União–PP perdendo atratividade.
A janela partidária na Câmara dos Deputados acelera uma reorganização de forças. O PL, antigo reduto do ex-presidente Jair Bolsonaro, lidera o crescimento de bancada, enquanto o União Brasil registra as maiores perdas até o momento. O saldo aponta o PL com 12 vagas a seu favor, até 30 de março, consolidando-se como a maior bancada.
O PL soma 19 filiações e 7 desfiliações, superando a marca de 100 deputados titulares e ampliando seu domínio na Casa. Em contrapartida, o União Brasil sofreu 16 baixas, com 19 saídas e apenas 3 filiações, movimento que alimenta o crescimento do PL.
Mais de 50 parlamentares já trocaram de sigla desde o início da janela, em 5 de março. O prazo encerra nesta sexta-feira (3) e permite mudança sem punição de infidelidade. A tendência é de maior volatilidade até o fechamento.
Para o cientista político Alexandre Bandeira, as mudanças refletem não apenas a conjuntura atual, mas a antecipação da eleição de 2026. Ele aponta concentração em siglas com melhor estrutura e capilaridade como fator determinante.
A cláusula de barreira, cada vez mais determinante, acelera migrações. Em 2026, as legendas deverão cumprir desempenho mínimo nacional e eleger deputados em estados diversos para manter acesso a recursos. Isso estimula a busca por siglas mais fortes.
União Brasil busca conter debandada
O União Brasil encara pressões internas para conter saídas e recompor a bancada. Entre as mudanças recentes, Mendonça Filho deixou o partido para ingressar no PL, abrindo debates sobre federação com outras siglas.
No Paraná, o senador Sérgio Moro e a deputada Rosângela Moro migraram para o PL. Também abriu filiação recente o deputado Sargento Fahur, fortalecendo o movimento pró-PL. Alfredo Gaspar, relator da CPMI do INSS, seguiu o mesmo caminho.
Outras migrações from União Brasil para o PL incluem Coronel Assis, Padovani, Carla Dickson e Nicoletti. O líder da bancada na Câmara, Pedro Lucas Fernandes, atua para atrair nomes, mas negociações com PL, PSD e PSDB seguem.
Segundo Bandeira, a federação União–PP perdeu atratividade frente às novas regras eleitorais. A limitação de candidaturas reduz a competitividade interna, levando parlamentares a buscar siglas com maior chance de eleição.
Centrão e siglas médias ganham espaço
Além do PL, o Centrão atua para ampliar espaço. PSD e Republicanos trabalham para atrair deputados buscando melhor estrutura e viabilidade eleitoral. Também há movimento no MDB e no Cidadania, com destaque para filiações em siglas maiores.
No Rio Grande do Sul, o PSD ganhou impulso com a atuação do governador Eduardo Leite, que migrou do PSDB para a sigla. Deputados Heitor Schuch e Lucas Redecker se transferiram para o partido, reforçando sua posição.
O PL registrou perdas internas, com ao menos quatro deputados saindo para PSDB, Podemos e PRD. O PSDB busca retomar protagonismo, já com nove novas filiações, incluindo Juscelino Filho, ex-união Brasil.
O rearranjo pode alterar o funcionamento da Câmara, pois bancadas maiores elevam o poder de influência em comissões e votações estratégicas. Contudo, ainda há grande negociação entre grupos e interesses distintos dentro dos partidos.
Esquerda mantém posição, com cautela
Do lado esquerdo, PT permanece com bancada estável, enquanto PSOL mantém independência ao não entrar em federação com o PT. O PSB surge como opção para candidatos de centro-esquerda em busca de novas alternativas.
Especialistas destacam que a menor movimentação na esquerda não significa tranquilidade: o eleitorado tende a migrar para campos mais à direita, o que incentiva estratégias de contenção e reforço de base.
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