- O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que não se importa com o estoque de enriquecimento de urânio de Irã, avaliado em cerca de 440 kg, mantido em camadas profundas sob Isfahan.
- Especialistas dizem que, se o Irã ainda controlar esse HEU ao fim do conflito, o país ficaria mais próximo de ter capacidade para armas nucleares do que caso tivesse ocorrido um acordo negociado em Genebra antes do início da guerra.
- O material estaria armazenado a aproximadamente 60% de pureza, em túneis sob uma montanha perto de Isfahan, segundo a IAEA.
- Houve negociação em Genebra, com proposta iraniana de diluir o HEU para urânio de baixa enriquecimento e manter monitoramento da IAEA, mas a ofensiva militar interrompeu novas rodadas de diálogo.
- A administração avalia a viabilidade de uma missão para extrair o HEU; um plano com centenas ou milhares de tropas foi considerado arriscado e, segundo Trump, o risco foi considerado alto demais.
Donald Trump afirmou que não se preocupa com o estoque de urânio altamente enriquecido (HEU) do Irã, sugerindo que o material está profundamente subterrâneo e pode ser monitorado apenas por satélite. A declaração levanta dúvidas sobre uma das principais justificativas para a guerra.
Especialistas dizem que, se a ofensiva EUA-Israel contra o Irã terminar com o governo de Teerã no controle de cerca de 440 kg de HEU, o Irã ficaria mais próximo de possuir capacidade de fabricar ogivas nucleares do que se tivesse aceitado um acordo negociado antes da ofensiva iniciada em 28 de fevereiro.
Ao ser questionado pela Reuters sobre o estoque, Trump reagiu: afirmou que o material está tão subterrâneo que não se preocupa com ele, mas garantiu que o monitoramento continuará por satélite. Em discurso à nação, ele disse que, se o Irã tentar qualquer movimento, será atingido com mísseis.
Analistas destacam que, caso o HEU permaneça sob controle iraniano ao fim dos conflitos, Teerã estaria mais próximo de fabricar armas nucleares do que o acordo de negociação em Geneva, vigente dois dias antes do início da guerra. Há divergência sobre a viabilidade de uma retomada de enriquecimento em conjunto com inspeções.
No processo diplomático de Genebra, autoridades iranianas teriam proposto diluir o HEU para urânio de baixa enriquecimento e manter apenas uma parcela menor no território. A proposta incluía pause prolongado no enriquecimento e retorno a um regime de monitoramento da AIEA.
Medidores internacionais, como os mediadores omanitas em Genebra, avaliavam avanços significativos, assim como assessores de segurança britânicos presentes na ocasião. Outra rodada de negociações em Viena foi anunciada, mas não ocorreu devido ao início da ofensiva.
Especialistas ouvidos por organizações de pesquisa nuclear indicam que a situação representa maior insegurança nuclear. O material permanece sob controle iraniano, dificultando a verificação do destino do HEU e mantendo incertezas sobre possíveis usos.
Conforme a AIEA, aproximadamente 200 kg de HEU, com pureza de 60%, ficam em jazidas profundas sob uma montanha perto de Isfahan. Relatos de foto de satélite publicados pelo jornal Le Monde em 2025 sugeriram movimentação de volumes possivelmente ligados ao HEU no local.
Segundo um plano citado pela imprensa, o governo americano considerou uma operação para assegurar o HEU na região, envolvendo entrada com equipamentos de escavação e a construção de uma pista de pouso para aeronaves. O plano contaria com centenas de tropas e semanas de preparo, mas foi abandonado.
Especialistas destacam que a decisão de não tentar recuperar o material aumenta o desafio de neutralizar o risco nuclear. A defesa diplomática, inspeções contínuas e cooperação internacional continuam sendo apontadas como caminhos necessários para reduzir a vulnerabilidade.
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