- Josh Owens, ex-editor de vídeo e produtor de campo da Infowars, disse à NPR que o trabalho era “nonsense” e “mentiras”, mesmo ficando quatro anos na empresa na casa dos vinte.
- Ele relatou que a equipe buscava um visual cinematográfico e chegou a produzir um vídeo em El Paso com um suposto militante do Estado Islâmico cruzando a fronteira, com uma cabeça decapitada cenográfica, que teve cerca de 1 milhão de visualizações.
- Owens deixou a Infowars em dois mil dezessete, atraído pelo bom pagamento e pela presença persuasiva de Alex Jones, apesar do desconforto causado pelo conteúdo.
- Segundo ele, o episódio de El Paso o fez questionar a veracidade das reportagens e reconhecer o racismo envolvido na produção, indicando mudanças em sua percepção.
- O ex-funcionário publicou o memoir The Madness of Believing: A Memoir from Inside Alex Jones’s Conspiracy Machine, participou do documentário HBO The Truth vs Alex Jones, e mencionou que o caso Sandy Hook resultou em uma indenização de 1,4 bilhão, com recurso negado pela Suprema Corte em outubro.
Josh Owens, ex-editeur de vídeo e produtor de campo da Infowars, afirmou a NPR que o trabalho na empresa de Alex Jones era “nonsense” e “mentiras”, mas durou quatro anos, nos seus 20 e poucos anos, por a empresa oferecer boa remuneração e Jones ter presença magnética.
O ex-funcionário detalhou que foi enviado a El Paso, após uma denúncia de um site conservador de que o grupo extremista Estado Islâmico (IS) teria base de treino na fronteira, perto de Ciudad Juárez. Não houve evidências encontradas, e a equipe simulou a cena com um repórter parecendo um operador do IS, equipado com uma cabeça cenográfica, atravessando um curso d’água que a produção apresentou como o Rio Grande.
Segundo Owens, a equipe publicaria o material mesmo sem comprovação. O vídeo registrou cerca de 1 milhão de visualizações na primeira manhã após a publicação, conforme relato do ex-funcionário.
Owens disse que o trabalho o incomodava, mas continuou pela remuneração e pela ideia de Jones ser uma presença envolvente. A mudança de postura ocorreu durante uma viagem de trabalho, ao ver uma mulher muçulmana com uma menina, o que o levou a questionar a veracidade das informações apresentadas.
A saída da Infowars não foi simples. Owens afirmou que parecia haver um estigma negativo no currículo por ter trabalhado com Jones, que, segundo ele, dizia aos funcionários que era impossível existir no mundo fora da empresa.
Em sua memória publicada, intitulada The Madness of Believing, Owens busca entender por que aceitou o emprego e por que permaneceu tanto tempo. Ele reconhece não ter todas as respostas, mas a reflexão e a responsabilização fazem parte do processo.
Owens também participou do documentário de 2024 da HBO, The Truth vs Alex Jones, no qual comenta episódios envolvendo Jones e a equipe de Infowars. Ele foi convidado a depor em ações movidas pelos pais de vítimas de Sandy Hook, que processaram Jones por alegações de que o massacre fora encenação para promover o controle de armas.
De acordo com Owens, o caso de Sandy Hook ocorreu entre a oferta de emprego e a aceitação da função. O ex-funcionário afirmou que o seu livro não dedica muito tempo ao tema, pois estava concentrado em ingressar na Infowars e na rotina de produção.
O Supremo Tribunal dos EUA, em outubro, negou um recurso de Jones para reverter a multa de 1,4 bilhão de dólares por difamação, fixada às famílias das vítimas. Owens disse não ter trabalhado em reportagens sobre Sandy Hook, segundo o seu relato à NPR.
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