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Para democratas, enfrentar Trump já não basta mais

Primária em Nova York revela divisão entre democratas anti-Trump defensivos e aqueles que pretendem enfrentar riqueza corporativa e poder político

‘The Democratic party’s anti-Trump consensus can’t be denied, but it is also thin.’ Photograph: David Dee Delgado/Reuters
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  • Em Nova Iorque, o distrito 10 da Câmara realiza uma primary entre Dan Goldman e Brad Lander, com Goldman destacando seu papel na primeira investigação de impeachment contra Trump.
  • A eleição expõe uma tensão entre democratas que veem a oposição a Trump como forma de defender normas e instituições e aqueles que querem usar o impulso anti-Trump para provocar mudanças de esquerda.
  • Goldman tem histórico de apoiar medidas contestadas, como HR 9495 para designar órgãos sem fins lucrativos como “organização de apoio ao terrorismo”, além de votar para prorrogar a vigilância sem mandado do Fisa 702.
  • No que diz respeito a criptomoedas, Goldman já votou diversas vezes para favorecer a agenda do setor, incluindo eliminar regras da era Biden, apoiar o Clarity Act e o Genius Act.
  • A discussão na primary sinaliza se o anti-Trumpismo será suficiente como meta de atuação ou se a oposição precisa ir além, enfrentando interesses estabelecidos em questões econômicas e de poder corporativo.

O Congressional district de Nova York 10 vive uma disputa interna que revela tensões entre democratas que prometem enfrentar o ex-presidente Donald Trump e aqueles que desejam lutar por mudanças próprias, além do anti-Trump.

Em meio a uma aparente coesão recente do partido, o foco no combate a Trump mascara divergências sobre políticas econômicas, liberdades civis, relações exteriores e financiamento de campanhas. A primária entre Dan Goldman e Brad Lander expõe esse descompasso.

Goldman, atual representante, lançou a reeleição no quinto aniversário de 6 de janeiro, destacando o papel dele na primeira investigação de impeachment contra Trump. Lander, veterano da gestão municipal, também se apresenta como progressista e anti-Trump.

A eleição interna questiona se ser anti-Trump é suficiente para moldar uma agenda ou apenas o mínimo comum de um núcleo democrático. O pleito aponta diferenças sobre como usar a energia anti-Trump para enfrentar o poder corporativo e o status quo.

Discrepâncias e escolhas políticas

Goldman, apesar de antagonista de Trump, votou em 2024 para ampliar poderes do Executivo sobre organizações sem fins lucrativos, o que gerou críticas de grupos civis. Críticas também recaem sobre a renovação do FISA 702 sem mandado, em que Goldman discordou da exigência de autorização judicial.

Na área financeira, Goldman apoiou medidas de desregulamentação de mercados e regulações sobre criptoativos que são vistas como favoráveis a interesses de determinados setores financeiros. Isso contrasta com a visão de alguns colegas que defendem maior rigor regulatório.

Lander aposta em uma linha de esquerda mais explícita, defendendo mudanças para reduzir o peso de grandes fortunas e de corporações, buscando ampliar direitos civis e participação pública. O duplo desafio é manter a coalizão anti-Trump sem abrir mão de reformas profundas.

A análise aponta que Goldman representa uma vertente que usa a retórica anti-Trump, mas sustenta políticas que podem favorecer elites estabelecidas. Já Lander representa uma resistência mais direta a estruturas de poder econômico dentro do espectro Democrata.

Este confronto na NY-10 serve como estudo de caso para o partido: até que ponto a oposição a Trump define a agenda? A primária decidirá se “antitrumpismo” é o eixo principal ou apenas o mínimo comum.

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