- O chanceler alemão Friedrich Merz disse que pretende acelerar o retorno de até cerca de 900 mil sírios que vivem na Alemanha, mirando cerca de 80% dos residentes nos próximos três anos, com prioridade para quem não tem autorização de residência.
- Alemanha e Síria criaram um grupo de trabalho conjunto e planejam enviar uma delegação a Damasco em poucos dias para avançar a cooperação.
- O governo alemão destinará mais de 200 milhões de euros neste ano para apoiar a reconstrução síria e incentivar investimentos alemães no país.
- Merz afirmou que é necessário reevaluar as necessidades de proteção e que quem não tiver direito de permanecer deverá deixar o país, defendendo uma saída confiável e cooperação com a Síria.
- Al Shara pediu investimentos alemães e citou um potencial econômico de até 400 bilhões de euros com parcerias europeias; a visita gerou críticas, incluindo da organização ProAsyl.
Friedrich Merz, chanceler da Alemanha, sinalizou na última reunião com o presidente interino sírio Ahmed al-Shara a intenção de facilitar o retorno de mais de 900 mil sírios que vivem na Alemanha. A meta é acelerar a repatriação, principalmente para quem não possui autorização de residência e para sírios com antecedentes criminais.
O governo alemão informou que será criado um grupo de trabalho conjunto com Damasco para viabilizar o processo. Merz afirmou que, em poucos dias, deverá ocorrer uma viagem de uma delegação alemã à Síria e que o objetivo é apoiar a reconstrução síria para tornar o retorno viável.
Além disso, Berlim deve destinar mais de 200 milhões de euros neste ano para apoiar a reconstrução na Síria e incentivar investimentos alemães no país, segundo o governo. Merz ressaltou que as condições gerais em território sírio teriam melhorado e que é preciso reavaliar as necessidades de proteção.
Aponte-se que a maior parte dos refugiados sírios chegou à Alemanha em 2015 e 2016. Com a queda de Bachar el Assad sendo citada como evento recente, o governo alemão quer discutir opções de retorno para residentes que já não tenham direito a permanecer no país.
Merz disse ainda que a “guerra civil terminou” e que existe a possibilidade de retorno ao país de origem. O ministro do Interior, Alexander Dobrindt, havia anunciado conversas com Al Shara sobre retorno voluntário e expulsões.
A visita de Al Shara a Berlim gerou críticas, inclusive de organizações de defesa de refugiados, que questionaram a legitimidade de lideranças associadas a violações de direitos humanos. Em protestos na cidade, manifestantes foram contrários à política de deportações.
Al Shara, que chegou à liderança por meio de movimentos islamistas, pediu investimentos de empresas alemãs e destacou a importância de criar um ambiente propício a investimentos na Síria. Estimativas apontam que acordos entre parceiros europeus e Síria poderiam abrir oportunidades econômicas de grande escala.
Enquanto isso, a situação interna síria segue instável, com infraestruturas danificadas e desafios logísticos. O governo alemão enfatizou a necessidade de cooperação com autoridades sírias para estruturar o retorno e garantir a proteção de todas as minorias.
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