- Ibaneis Rocha deixou o governo do Distrito Federal e nomeou a vice Celina Leão para assumir o cargo, enquanto concorre a uma vaga no Senado, com as eleições ocorrendo em outubro.
- O ex-governador encerra mais de sete anos no poder, eleito em dois mandatos, e Celina Leão deve disputar a reeleição.
- O processo enfrenta desgaste após a crise envolvendo a tentativa de compra do banco Master pelo BRB e depoimentos de investigados que envolveram Ibaneis.
- O PL no Distrito Federal não apoia Ibaneis; o partido pretende lançar Michelle Bolsonaro e a deputada Bia Kicis ao Senado, o que o deixa sem palanque.
- Mesmo diante de pressões internas, aliados discutiram a possibilidade de ele desistir da candidatura para manter o foro, mas Ibaneis manteve a decisão de deixar o governo.
Ibaneis Rocha (MDB) deixou o governo do Distrito Federal neste fim de semana e nomeou sua vice, Celina Leão (PP), para substituí-lo. A decisão visa viabilizar a candidatura ao Senado na vaga distrital, com duas das três cadeiras em disputa em outubro.
O ex-governador pretende concorrer a uma das vagas do DF ao Senado. A atual configuração terá renovação de duas cadeiras em 2026, enquanto a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) mantém mandato até 2030.
Ibaneis encerra mais de sete anos à frente do governo. Eleito em 2018 e reeleito em 2022, ele fechou o ciclo com um último discurso em que citou antecessores, destacando transições políticas desde 2006.
A saída ocorre em meio a uma crise que envolve investigações sobre a tentativa de venda do banco Master pelo BRB. A pressão aumentou após depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro à Polícia Federal.
Caso ganhou dimensão após Vorcaro citar Ibaneis. Reportagens também mostraram que um escritório associado ao ex-governador negociou créditos com um fundo sob investigação.
Apesar de negar irregularidades, o episódio elevou o desgaste político. Aliados Consideraram até a desistência da candidatura para manter o foro até o fim do mandato.
Ibaneis manteve a decisão de deixar o cargo. Celina Leão assume o governo e deve disputar a reeleição, com apoio a ser definido em meio a negociações partidárias.
Sem apoio do PL
A candidatura de Ibaneis enfrenta a falta de apoio do Partido Liberal no DF. A cúpula do PL decidiu apoiar Celina Leão e lançar duas candidatas próprias ao Senado: Michelle Bolsonaro e Bia Kicis (PL-DF).
O arranjo afastou Ibaneis do palanque. O senador Izalci Lucas (PL-DF) também viu mudanças no espaço político, com término de mandato em janeiro de 2027.
A presença de Michelle Bolsonaro ganha destaque dentro do PL, ampliando influência junto à direção nacional. Michelle preside o PL Mulher e participou do evento de posse de Celina.
A estratégia guarda semelhança com 2022, quando Michelle apoiou Damares ao Senado, vitoriosa com 44,9% dos votos, derrotando a candidata do PL, Flávia Arruda.
Crise política e isolamento
Ainda há tentativa de intervenção do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para reverter o cenário de Ibaneis e reorganizar a chapa BRB. A ideia é aproximar o conjunto da disputa eleitoral.
No MDB, há discussões sobre substitutos. Um possível nome citado foi o deputado Rafael Prudente (MDB-DF) como opção para o Senado ou para o governo.
A gestão de Ibaneis foi marcada por altos e baixos, com ajustes durante a pandemia e críticas amplas às políticas implementadas, sobretudo sobre restrições e flexibilizações.
Em 2023, o governador foi afastado por decisão do ministro Alexandre de Moraes após atos de 8 de janeiro. A intervenção federal na segurança pública deixou marcas no governo.
Entre na conversa da comunidade