- No início de 2026, o gasto nominal com divulgação da atividade parlamentar chegou a 15,7 milhões de reais no primeiro bimestre, o maior desde o início do registro em 2008.
- Mesmo com esse valor, o gasto corrigido pela inflação aponta 2024 como recorde, com 16,2 milhões de reais; o total de 2026 deve subir, já que há até 90 dias para comunicar as despesas.
- A cada quatro anos, a prática é concentrar esses gastos no semestre que antecede a eleição; as normas proíbem uso da cota para divulgação nos 120 dias anteriores ao primeiro turno, mas a atividade costuma ocorrer mesmo assim.
- Em 2025, a divulgação de mandato atingiu 101 milhões de reais, representando 42% do total da cota daquele ano, o maior percentual já registrado.
- Entre os serviços usados, aparecem redes sociais, conteúdo para rádio e para blogs/jornais digitais, com notas fiscais pouco detalhadas; os cinco deputados com maiores despesas em 2025 aparecem listados pela reportagem.
Em 2026, o gasto com divulgação do mandato de deputados federais já indica a possibilidade de bater recorde. Dados parciais mostram R$ 15,7 milhões pagos nos dois primeiros meses, ante R$ 14,9 milhões no mesmo período de 2025. Mesmo ajustados pela inflação, o maior valor havia sido registrado em 2024, com R$ 16,2 milhões. A expectativa é de alta até o prazo de comunicação à Câmara, em 90 dias.
A prática envolve a cota para parlamentar, destinada a informar a população sobre ações dos deputados. No entanto, há regras que proíbem uso com caráter eleitoral nos 120 dias anteriores ao primeiro turno. Mesmo assim, muitos gastos visam ampliar a visibilidade dos parlamentares, o que levanta questionamentos sobre o equilíbrio entre divulgação institucional e campanha antecipada.
Tendência de gastos e contexto
Historicamente, o gasto com divulgação aumentou mesmo fora de períodos eleitorais. Em 2025, a soma chegou a R$ 101 milhões, representando 42% do total da cota naquele ano, o maior percentual já registrado. Em 2022 houve um ajuste pontual devido ao aumento de preços de passagens aéreas, mas a divulgação retomou liderança depois.
A evolução de padrões na Câmara dos Deputados é também perceptível desde 2008, quando os maiores custos estavam em telefonia (29%) e consultorias (18,6%). Hoje, a telefonia é um gasto residual, e as consultorias são majoritariamente feitas pelo próprio quadro técnico da Casa ou por secretários parlamentares, cujos salários não entram na cota.
Como o dinheiro é aplicado
Desde fevereiro de 2023, os deputados já destinam cerca de R$ 310 milhões para a divulgação do mandato. Entre as empresas, a Meta — dona de Facebook e Instagram — foi a que mais recebeu recursos, com R$ 7,7 milhões, distribuídos entre mais de 6 mil fornecedores.
Os cinco deputados com maiores despesas em 2025 aparecem em registros de notas fiscais analisados pela reportagem. Em resposta, a maioria dos parlamentares afirmou que os gastos visam transparência e prestação de contas. A deputada Antônia Lúcia (Republicanos-AC) não respondeu.
A reportagem observou 372 notas fiscais que revelam alguns itens comuns de gasto, como redes sociais, conteúdos para rádio, blogs e vídeos, assessoria de imprensa e material gráfico. Há, ainda, registros detalhados em alguns casos, porém com descrições diversas da natureza dos serviços.
Exemplos e debates
Casos publicados mostram publicações em redes sociais anunciando emendas parlamentares, como uma postagem de maio de 2025 que destacou recursos de emenda para o município de Mucajaí (RR). Outros registros destacam ações de divulgação de destinações de emendas para entidades assistenciais, vistos como ferramenta de transparência.
Ainda é comum o pagamento de notas para rádios regionais e programas políticos locais. Em alguns casos, o gasto mensal com divulgação atende a valores próximos de R$ 19 mil para determinadas linhas de comunicação, como parte da estratégia de visibilidade do mandato.
Cruzando informações
A dinâmica aponta para uma prática institucional de visibilidade que, segundo defensores, aumenta a transparência. Críticos, porém, alertam para a linha tênue entre informar o eleitor e realizar campanha antecipada com verba pública. Em períodos eleitorais, há restrições mais rígidas, porém o fluxo de gastos costuma permanecer estável ao longo do ano.
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