- Diversos autores, incluindo Rana Dasgupta, afirmam que o Estado-nação está falido, marcado por desigualdades, corrupção e erosão de direitos individuais.
- Livros recentes alertam para uma “doom loop” global, em que instabilidade econômica alimenta política e populismo, sem soluções claras no horizonte.
- O mundo parece caminhar para multipolaridade, com EUA e China em disputa e escalada de tensões que pode criar novas esferas de influência.
- a União Europeia é descrita como paralisada e incompleta, sem acordo sobre avanços estratégicos como defesa e mercado comum.
- A inteligência artificial é apontada como grande incógnita: pode ampliar educação e cooperação, mas também ampliar controle autoritário; o futuro permanece incerto.
O livro After Nations: The Making and Unmaking of a World Order mostra um cenário em que o Estado-nação está fragmentado e não atende mais aos direitos, à liberdade e à prosperidade de grande parte da população. Autores como Rana Dasgupta apontam queda da legitimidade do modelo atual frente a desigualdades crescentes e a concentrações de riqueza.
O autor britânico de origem indiana argumenta que a soberania nacional, herdada de tradições ocidentais, falha ao não conseguir promover justiça e igualdade. Segundo ele, o progresso histórico é substituído pela ansiedade de um futuro incerto, com as instituições falhando em proteger os cidadãos.
Diversos pensadores compartilham a leitura de que o sistema internacional está em colapso ou em processo de falha. Economistas e historiadores, como Eswar Prasad e Odd Arne Westad, falam em ciclos de deterioração econômica e instabilidade política que alimentam o populismo.
Mudanças de ordem e novas tensões
Os autores discutem uma transformação multipolar, com China e Estados Unidos em confronto. Branko Milanovic aponta que o surgimento de um novo ord neuron, ainda pouco percebido, pode tensionar o equilíbrio global. A ideia é de que a ordem atual é inadequada para uma realidade em mudança.
A percepção de que a prosperidade ocidental não é mais garantida também aparece como tema recorrente. Nos relatos, o Congresso americano e as instituições da União Europeia são descritos como paralisados ou incapazes de responder de forma coordenada às ameaças externas.
Desafios para o futuro e cenários de guerra
Segundo Westad, há uma semelhança inquietante com o período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial, quando imprevisibilidade, desconfiança e rápidas mudanças de poder abalaram o sistema internacional. A velocidade das comunicações e a sofisticação tecnológica podem reduzir o tempo de decisão.
O texto cita avanços tecnológicos, como arsenais nucleares, mísseis hipersônicos e IA, destacando que conflitos modernos podem ter consequências catastróficas. Autores ressaltam que a solução não está clara e as propostas geralmente carecem de viabilidade prática.
Tecnologia, IA e possibilidades de transformação
Alguns analistas veem na IA um caminho de transformação, capaz de ampliar o acesso à educação e à informação a grandes parcelas da população. Outros alertam para o controle autoritário via vigilância aumentada. A discussão envolve o papel da IA na governança global e na reconfiguração de poderes.
Entre as perspectivas, há esperança de que a liberalidade liberalista possa evoluir para um universalismo mais amplo, desde que haja mecanismos institucionais distribuídos entre atores locais e transnacionais. O desafio é definir como esse arcabouço poderia funcionar na prática.
BRICS e cenários de coalizões
Alguns autores discutem a ideia de uma comunidade internacional baseada em blocos como BRICS-plus, com participação de novas economias. Contudo, a força e a coesão desse agrupamento, especialmente diante de tensões regionais e conflitos recentes, permanecem incertas.
Ainda que haja pessimismo quanto à capacidade de manter a estabilidade mundial, há quem veja espaço para um caminho intermediário entre confronto direto e cooperação suficiente para evitar esferas de influência unilaterais. A realidade, porém, exige ações concretas.
Realidade norte-americana e europeia
O texto analisa a crise de confiança no sistema político dos EUA, associando-a à ascensão de oligopólios e a políticas que agravam a desigualdade. Da mesma forma, a União Europeia é apresentada como dividida e vulnerável a choques externos, com avanços institucionais limitados.
Mesmo diante de ameaças externas, os autores destacam a dificuldade de adotar reformas profundas que promovam uma governança mais eficaz e coesa. O retrato é de um continente que luta para manter a implementação de políticas comuns.
Perspectivas para o futuro
Os autores reconhecem que não há respostas simples para os problemas apresentados. A discussão segue em aberto, com visões que vão desde reformas institucionais até a criação de um novo paradigma de governança global. A aposta é que o futuro apresentará mudanças relevantes, ainda não mapeadas.
A obra não exclui a possibilidade de que novos formatos de cooperação internacional, tecnologia e organização social possam emergir. Mesmo com o pessimismo, há espaço para relatos que defendem caminhos de maior equidade e estabilidade.
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