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Mato Grosso repassou R$ 755 mi ao Master por consignados, Oi e BR, diz ex-governador

Ex-governador de Mato Grosso afirma repasse de ao menos R$ 755 milhões ao Banco Master via consignados, Oi e BR-163, endossando risco ao sistema financeiro

25.mar.2026 - O ex-governador de MT Pedro Taques durante depoimento à CPI do Crime Organizado
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  • O ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, afirmou na CPI do Crime Organizado que o estado repassou pelo menos R$ 755 milhões a estruturas ligadas ao Banco Master desde 2023.
  • Os vínculos citados envolvem empréstimos consignados, um acordo com a Oi e a concessão da BR-163, com recursos públicos e estruturas associadas ao Master.
  • Taques disse que empresas ligadas ao Master atuavam no consignado sem autorização do Banco Central e transferiam contratos ao Master, o que teria ampliado o endividamento dos servidores; a margem consignável chegaria a 60%.
  • O número de operações de crédito consignado ligadas ao Master em Mato Grosso teria passado de 104 mil em 2022 para 2,7 milhões em 2024.
  • O ex-governador afirmou que o acordo tributário com a Oi em 2024 resultou em pagamento de R$ 308 milhões, depositados em dois fundos administrados pelo Master (Royal Capital e Lotte World), com cerca de R$ 154 milhões para cada um.

O ex-governador de Mato Grosso, José Pedro Gonçalves Taques, afirmou à CPI do Crime Organizado do Senado que o estado repassou ao menos 755 milhões de reais a estruturas ligadas ao Banco Master desde 2023. A alegação foi apresentada durante o depoimento hoje, em Brasília.

Segundo Taques, os vínculos envolvem empréstimos consignados, um acordo com a Oi e a concessão da BR-163, com recursos públicos e estruturas financeiras associadas ao Master. Mesmo atuando como advogado, ele disse ter sido contratado por sindicatos e pela federação de servidores de Mato Grosso para investigar descontos em folha e possíveis irregularidades desde 2024.

Taques relatou que empresas ligadas ao Master atuaram no mercado de consignados sem autorização do Banco Central, oferecendo crédito a servidores estaduais e repassando os contratos ao Master. O ex-governador afirmou que esse modelo ampliou o endividamento, citando uma margem consignável que chegou a 60% da renda dos trabalhadores.

A respeito do segundo eixo, o ex-governador mencionou um acordo tributário entre o governo de MT e a Oi, firmado em 2024 para encerrar disputas judiciais sobre cobranças de impostos. Taques afirmou que o governo pagou 308 milhões de reais, depositados em dois fundos criados e administrados pelo Banco Master, com aproximadamente 154 milhões de reais para cada fundo, o Royal Capital e o Lotte World.

Segundo Taques, os recursos teriam chegado a empresas ligadas ao atual governador Mauro Mendes, como a Sollo Energia e a Minerbras Mineração, com base na análise de documentos públicos de fundos registrados na Comissão de Valores Mobiliários, sem necessidade de quebra de sigilo bancário. O espaço foi aberto para manifestação por parte do governo de MT.

O terceiro eixo envolve a concessão da BR-163, principal rodovia de escoamento de Mato Grosso, com a MTPAR assumindo a gestão da rodovia pela concessionária Nova Rota Oeste. Taques afirmou que, após a concessão, a MTPAR criou um fundo administrado pela Reag Investimentos em 2023, e que o governo de MT aportou 447 milhões de reais nesse fundo. Ele informou ainda que o sócio da Reag, Luiz Carlos Moreira Lima, foi nomeado para o conselho de administração da Nova Rota do Oeste após a criação do fundo.

Taques mencionou ainda investigações da Polícia Federal que teriam apontado ligação entre fundos administrados pela Reag e lavagem de dinheiro, citando a relação com o PCC. Durante o depoimento, o ex-governador sustentou que o crime organizado passou a atuar dentro de instituições públicas, inclusive em fundos e licitações.

O ex-governador afirmou que, diante desses relatos, houve aumento de riscos ao sistema financeiro e disse ter encaminhado documentos a autoridades competentes, defendendo novas investigações. O UOL procurou o governo de Mato Grosso para comentar as acusações; até o momento, o espaço permanece aberto para manifestação.

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