- Hal Brands sugere três cenários para o mundo pós-Trump: dois blocos liderados por EUA e China; uma era de esferas de influência regionais; ou um mundo de “lei da selva” com alta insegurança.
- O cenário mais provável, segundo ele, seria uma “Guerra Fria II”, com confrontos entre blocos liderados por Estados Unidos e China e pressão para que outros países escolham sides de forma interdependente.
- Um segundo cenário prevê retorno de impérios regionais, com domínio americanо no hemisfério ocidental e retire de alianças em Europa e Pacífico, abrindo espaço para outras potências ganharem peso regional.
- O terceiro cenário descreve uma era de autodefesa desregulado, em que três grandes potências—EUA, China e Rússia—atuam como revisionistas, aumentando a proliferação de armas nucleares e a instabilidade global.
- A conversa, em formato condensado, discute ainda se a ordem baseada em regras, construída após a Segunda Guerra Mundial, pode ressurgir ou se está morta, com provável transição para um modelo mais transactional e menos idealista.
O mundo pós-Trump é tema de uma análise de Hal Brands, professor de assuntos globais da Johns Hopkins. Em uma edição de 2026 de Foreign Policy, ele descreve três cenários sobre o que pode ocorrer após o atual ciclo presidencial. A discussão foi publicada como um ensaio de capa e transformada em conversa divulgada pela FP Live.
Brands apresenta que o segundo mandato de Donald Trump acelerou mudanças no cenário internacional: erosão do direito internacional, ruptura da ordem comercial global e enfraquecimento de alianças transatlânticas, com maior atrito militar e pressão por arsenais nucleares em diversos países. A entrevista focaliza possíveis desdobramentos.
Abaixo, a síntese dos três cenários centrais, que o autor diz serem apenas possibilidades, não previsões. A conversa original ocorreu em formato de vídeo com acesso reservado a assinantes, e o texto aqui foi condensado e levemente editado.
Três cenários para o mundo depois de Trump
- Blocos em choque: uma nova Guerra Fria entre uma coalizão liderada pelos Estados Unidos e aliados ocidentais, contra um bloco liderado pela China, com possível participação de Rússia, Irã e outros. Swing states buscam maximizar vantagens diplomáticas, gerando crises de interdependência econômica e tecnológica.
- Era de impérios: recuo americano e surgimento de esferas de influência regionais. A ONU seria menos central, com potências regionais ampliando poder na América, Europa, Extremo Oriente e outras regiões. A fragmentação sceneia-se como alternativa a uma intervenção global coordenada.
- Jungle law: ascensão de uma ordem de self-help, com cada país buscando garantir sua segurança diante de uma retração ou agressividade de potências revisonistas. Países menores podem buscar armas nucleares ou outras defesas, aumentando desordem internacional.
O que sustenta as cenários e as controvérsias
Brands sustenta que a ordem baseada em regras pós-1945 está amplamente esmaecida, com a chance de retorno a um modelo global anterior improvável. O pesquisador argumenta que a relação entre EUA e China continuará desafiadora nos próximos 5 a 10 anos, pressionando alianças e instituições.
Ele discute ainda o papel de liderança ocidental, sugerindo que o apoio entre EUA e Europa será mais transacional, orientado por interesses comuns de contenção, ao invés de convergência de valores. No cenário de blocos, países do sul do mundo podem adotar posições diversas conforme incentivos econômicos e geopolíticos.
Perspectivas sobre o futuro e sinais atuais
Segundo Brands, o cenário dois, de empírios regionais, tende a ser menos estável que o primeiro, dada a complexidade de laços econômicos globais. No terceiro cenário, a incerteza aumenta à medida que países buscam garantias de segurança sem um poder hegemônico presente.
O autor avalia que a estabilidade prevista para os próximos anos depende de políticas que fomentem cooperação entre democracias, ao mesmo tempo em que reconheçam necessidades de defesa e investimento estratégico. A eleição de 2028 é mencionada como indicador de rumo provável, com cenários que variam conforme o resultado eleitoral.
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