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Nicarágua e o suposto El Dorado chinês

Ortega entrega 1,3 milhão de hectares a empresas chinesas, ampliando a mineração de ouro e de metais estratégicos

Niños trabajadores en una mina de oro en Villanueva, a 145 kilómetros de Managua, en una foto de 2019.
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  • A ditadura de Daniel Ortega entregou, em três anos, mais de 1,3 milhão de hectares a 16 companhias chinesas, sem estudos de impacto ambiental e em desacordo com leis de proteção a comunidades indígenas.
  • A área de exploração corresponde a 10% do território de Nicaragua e é maior que a região da comunidade de Madrid.
  • As concessões abrangem áreas na floresta e reservas de biosfera, muitas habitadas por comunidades ancestrais, com empresas chinesas surgidas recentemente.
  • O ouro continua como principal produto de exportação do país, com quase 2 bilhões de dólares em 2025, sendo o principal mercado os Estados Unidos.
  • A situação remonta a históricos conflitos com empresas estrangeiras, mas hoje é associada à presença chinesa e à apropriação de recursos, incluindo outros minerais como cobre, plomo, cobalto, urânio, lítio e níquel.

O governo de Nicaragua, sob o presidente Daniel Ortega, tem sido apontado por críticos como semelhante ao regime de Anastasio Somoza ao entregar recursos minerais do país a capital estrangeira. A denúncia envolve concessões de áreas mineiras a empresas chinesas, em meio a controvérsias sobre impactos ambientais e direitos indígenas. A notícia se sustenta em dados históricos e recentes, com foco em fatos, datas e atores envolvidos.

Em outubro de 1979, a revolução nacionalizou as minas no país, anunciando o decreto em Siuna, região caribenha. A medida ocorreu no contexto do triângulo mineiro, que incluía Rosita e Bonanza, dominado pela Rosario Mining Company. O período foi marcado por denúncias de exploração brutal e corrupção associada ao setor.

Hoje, segundo fontes, mais de 1,3 milhão de hectares, cerca de 10% do território, foram concedidos a 16 firmas chinesas, em contratos sem estudos de impacto ambiental robustos. As áreas abrangem reservas situadas em áreas de floresta e comunidades indígenas, gerando preocupações sobre a soberania local.

A BHMB Mining, de capital estadounidense, foi citada como exemplo recente: a concessão passou para a Zhong Fu Development, que hoje controla uma zona de aproximadamente 1.800 quilômetros quadrados. A operação envolve mineração de ouro com exportação para o mercado norte-americano.

Historicamente, a produção de ouro representou uma parcela relevante da pauta de exportação de Nicaragua, com valores que chegaram perto de 2 bilhões de dólares em 2025. O primeiro destino dessas exportações permanece, em grande parte, os Estados Unidos.

A atuação de empresas chinesas também envolve a aquisição de terras para atividade mineradora, incluindo áreas próximas à fronteira com Costa Rica. Relatos indicam o contrabando anual de ouro em sacos pela fronteira, estimado em cerca de 125 milhões de dólares, aumentando as tensões entre países vizinhos.

Além do ouro, há planos de exploração de outros minerais, entre eles cobre, plomo, cobalto, urânio, litio, molibdênio, tungstênio, zinco, cromo e níquel. Essas reservas são vistas como estratégicas em disputas geopolíticas entre Estados Unidos e China.

As áreas concedidas abrangem regiões protegidas pela biosfera e comunidades tradicionais, suscitando críticas de organizações locais e internacionais. Autoridades locais defendem a necessidade de avaliações ambientais e de respeito aos direitos das comunidades originárias.

A narrativa atual aponta para uma transição de controladores históricos para novos atores internacionais. Analistas destacam que o processo pode alterar a matriz econômica do país e acentuar a dependência de capitais externos, com impactos variados para a população local.

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