- O ministro Flávio Dino intimou a Câmara dos Deputados e os deputados Mário Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon para apresentarem explicações em cinco dias sobre supostas irregularidades no uso de emendas para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.
- A solicitação decorre de ADPF 854, apresentada pela deputada Tabata Amaral, que aponta suspeita de financiamento de cinebiografia por meio de “emendas Pix” ligadas ao grupo político dos parlamentares.
- A produtora do filme é Go Up Entertainment, comandada por Karina Ferreira da Gama, que também preside a Academia Nacional de Cultura; a empresa já recebeu recursos para outra produção ligada a figuras públicas.
- Karina é sócia do Instituto Conhecer Brasil, que teve contrato com a prefeitura de São Paulo para fornecer internet Wi‑Fi em comunidades de baixa renda, segundo reportagem do Intercept Brasil.
- Tabata sustenta a existência de um “grupo econômico por coordenação” que dificulta a rastreabilidade dos recursos, indicando possível desvio de finalidade e solicitando rigorosa fiscalização.
O ministro Flávio Dino, do STF, intimou a Câmara dos Deputados e três parlamentares do PL para prestar esclarecimentos sobre supostas irregularidades no uso de emendas para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A intimação ocorreu no âmbito da ADPF 854.
Dino concedeu prazo de 5 dias para que os envolvidos apresentem explicações. A ação foi movida pela deputada Tabata Amaral, que pediu transparência, rastreabilidade e observância de normas na aplicação de emendas parlamentares.
Tabata aponta indícios de financiamento da cinebiografia Dark Horse por meio de emendas indicadas por Mário Frias, Bia Kicis e outros congressistas. Ela sustenta a existência de um ecossistema de empresas ligadas a um mesmo grupo.
Contornos do alegado esquema
Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment, é citada como produtora do filme e presidente da Academia Nacional de Cultura. Segundo a deputada, a empresa já recebeu recursos para outra produção de conteúdo ligado a figuras públicas.
Karina também participa do Instituto Conhecer Brasil, que teria recebido mais de 100 milhões da prefeitura de São Paulo para fornecer internet em comunidades de baixa renda, conforme apuração do Intercept Brasil.
A deputada sustenta que essas relações configuram um grupo econômico por coordenação, dificultando a rastreabilidade de recursos públicos para fins de interesse privado. O Ministério Público e o STF devem acompanhar os desdobramentos.
Tabata diz ainda que há uso conjunto de emendas com serviços de marketing eleitoral fornecidos por empresas do mesmo conglomerado, criando um possível duto de recursos que contorna regras de transparência.
Perspectivas e próximos passos
A parlamentar aponta a necessidade de fiscalização rigorosa para evitar desvio de finalidade de emendas e assegurar a integridade do processo. A Câmara e os parlamentares citados devem apresentar explicações formais nos prazos estabelecidos.
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