- A relação transatlântica está em transformação e não voltará ao status quo pós‑Guerra Fria; a pergunta é o que Washington quer ou precisa da Europa no novo cenário.
- Após o fim da Guerra Fria, a NATO foi mantida e os EUA asseguraram defesa na região, enquanto a UE reduziu gastos militares, de cerca de 3,2% do PIB para 1,4% (em 2015).
- Três cenários de pessimismo dominam as discussões: autonomia europeia suficientemente capaz de desafiar os EUA; Europa hostil aos EUA; ou Europa sem os EUA mergulhando em conflitos internos.
- Mesmo com incertezas, há caminhos práticos: a NATO continua relevante para comando e controle; a UE pode lidar com dívida e compras conjuntas; surgem minilateralismos entre países afins.
- Um caminho mais positivo depende de mudanças nos EUA (evitar flutuações partidárias que abalam a confiança) e de uma visão mais abrangente da parceria, incluindo áreas além da defesa, como comércio, tecnologia, espaço e infraestrutura energética.
A relação transatlântica entre EUA e Europa passa por uma reconfiguração salientada por análises de especialistas. O texto aponta que não haverá retorno ao status quo do pós-Guerra Fria e pergunta o que Washington fará da Europa no curto e médio prazo. A discussão envolve autonomia europeia, rearmamento e novas alianças estratégicas.
Segundo a análise, a visão de décadas anteriores, de manter NATO como pilares e impedir defesas independentes, já não reflete a realidade atual. Autores mencionam que a França, a Alemanha e outros países buscam maior participação europeia em defesa, sem romper com os EUA.
O texto destaca que o governo de Donald Trump intensificou o uso do poder americano para pressionar a Europa por meio de tarifas e condicionalidades de segurança. A mudança de tom é apresentada como indicativa de uma mudança de eixo — de um relacionamento baseado na dependência para uma relação de negociação mais equilibrada.
Cenário atual
Especialistas salientam três cenários de risco que dominam o debate. O primeiro é a suposta troca entre capacidade militar europeia maior e autonomia política que dificultaria a cooperação com Washington. A melhoria de capacidades poderia reduzir pressões externas, mas não eliminaria interesses comuns.
O segundo envolve temores de que a Europa se torne hostil aos EUA. Regulamentações regulatórias e projetos de defesa próprios poderiam criar áreas de tensão, embora o texto ressalve que a UE não se tornaría uma hegemonia europeia, mantendo divisões entre estados-membros.
O terceiro cenário levanta o risco de fragmentação europeia sem a presença militar americana, com receios históricos de conflitos entre nações. Ainda assim, o artigo aponta anseios de cooperação econômica, social e tecnológica que ajudam a mitigar tensões militares.
Desafios e caminhos
A análise afirma que não há consenso sobre o ritmo da rearmamentação europeia, com gastos variando entre países. A OTAN segue como opção principal de comando e controle, enquanto a UE avança em questões de dívida pública e compras conjuntas. Pequenos Arranjos regionais também aparecem.
Para autoridades americanas, o principal desafio é definir o que desejam da relação nos próximos anos — não apenas pressões militares, mas áreas de interesse comum, como comércio e tecnologia. O artigo recomenda menos ênfase em manter o status quo e mais claridade sobre objetivos compartilhados.
Rotas de cooperação
A reportagem sugere fortalecer a cooperação além da defesa tradicional, com áreas como espaço, desenvolvimento farmacêutico e infraestrutura de gás natural liquefeito. O Conselho de Comércio e Tecnologia entre EUA e UE, criado no governo Biden, é citado como exemplo de diálogo que precisa de retomada.
O texto conclui que há várias trajetórias plausíveis para uma defesa europeia suficiente sem depender integralmente dos EUA. O foco, segundo os autores, deve ser a definição de interesses norte-americanos a longo prazo e a construção de uma parceria igualitária.
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