- Lula, em Bogotá na cúpula da Celac, criticou a ordem internacional e o risco de “nova colonização” econômica.
- Defendeu que a América Latina e a África agreguem valor a minerais críticos dentro de seus territórios.
- Apontou a importância de terras raras e minerais na transição energética e o potencial da região na produção de energia.
- Cobrou mudanças no Conselho de Segurança da ONU, defendendo maior representatividade para a região e criticando quem tem mais poder militar e financeiro.
- Reafirmou a soberania nacional, o respeito às decisões locais e a preservação do Atlântico Sul como zona livre de disputas geopolíticas, promovendo o multilateralismo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante a 10ª cúpula da Celac em Bogotá no sábado 21, que a ordem internacional corre riscos de uma nova colonização econômica. Ele criticou guerras em curso e apontou para a possibilidade de retrocesso no desenvolvimento regional.
Ao tratar da exploração de recursos naturais, Lula alertou para investimentos “neoextrativistas” que, segundo ele, visam dominar riquezas da região. Defendeu que países latino-americanos e africanos agreguem valor a minerais críticos dentro de seus territórios, fortalecendo a cooperação regional para evitar modelos históricos de exploração.
O discurso apontou ainda a relevância de insumos como terras raras e outros minerais usados na transição energética. Lula afirmou que a América Latina tem potencial para avançar em desenvolvimento desde que preserve a soberania.
Conflitos e economia globais
O presidente ressaltou que o mundo vive a maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra. Citou guerras na Ucrânia, em Gaza e envolvendo o Irã, destacando efeitos sobre preços de energia e alimentos, que impactam a trajetória de desenvolvimento de diversos países.
Lula criticou o funcionamento da ONU, especialmente o Conselho de Segurança. Segundo ele, o órgão não tem logrado resolver crises e atua de forma distorcida. Questionou quem detém maior poder militar, naval ou financeiro, sugerindo assim a necessidade de mudanças estruturais.
O chefe de Estado pediu maior representatividade para países da América Latina e da África no organismo. Ressaltou que regiões com grande população e peso econômico continuam sub-representadas.
Soberania e multilateralismo
O presidente defendeu a soberania nacional como base para acordos internacionais e a necessidade de respeitar fronteiras nas intervenções externas. Reforçou ainda a ideia de preservar o Atlântico Sul como zona de estabilidade e livre de disputas geopolíticas.
Por fim, Lula lembrou que o multilateralismo é o caminho para a paz e o desenvolvimento global. A fala ocorreu durante a cúpula da Celac, que reúne governos da América Latina e do Caribe para discutir cooperação econômica e desafios regionais.
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