- ONG húngaras levantaram preocupações com a nomeação de Daria Boyarskaya, ex-interprete de Vladimir Putin, para coordenar a missão de monitoramento da eleição parlamentar na Hungria no próximo mês.
- Boyarskaya trabalha há anos na Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e está baseada na Assembleia Parlamentar da OSCE (OSCE-PA) em Viena; ela lidera a missão de observação da votação húngara.
- A votação pode pôr fim a 16 anos de governo do líder nacionalista Viktor Orbán, cuja campanha enfatiza críticas à Ucrânia e bloqueio de empréstimos da UE ao país.
- Boyarskaya convidou representantes da sociedade civil para uma reunião fechada em Budapeste, a fim de levantar preocupações sobre o cenário político e servir de base para uma missão maior composta por deputados de países membros da OSCE.
- Ativistas temem que, mesmo a percepção de acesso a informações sensíveis por atores externos possa inibir discussões abertas, levando a pedidos para remoção da intérprete de tarefas relacionadas à observação eleitoral.
Daria Boyarskaya, ex-interprete de Vladimir Putin, está coordenando a missão de monitoramento eleitoral da OSCE para as eleições parlamentares da Hungria, programadas para o próximo mês. A nomeação ocorre em meio a críticas de grupos de direitos que temem interferência russa no pleito.
Grupos húngaros de direitos alertam para possíveis riscos, citando vínculos passados de Boyarskaya com a diplomacia russa. A preocupação é sobre a imparcialidade e o acesso a informações sensíveis durante a observação.
A OSCE-PA, com sede em Viena, confirmou a participação de Boyarskaya como assessora sênior e coordenadora da missão de monitoramento das eleições na Hungria. A organização não informou se houve mudanças nos procedimentos de segurança.
Controvérsias e contexto político
Há relatos sobre uma estreita relação entre o governo húngaro e Moscou, além de críticas de Orbán ao tempo de apoio à Ucrânia. O pleito é visto como crucial para manter ou alterar o curso político do país.
Representantes da sociedade civil foram convidados para uma reunião fechada em Budapeste na próxima semana, para discutir preocupações com o ambiente político. A delegação contará com membros do parlamento britânico e armênio.
Márta Pardavi, da Hungarian Helsinki Committee, escreveu à OSCE-PA destacando riscos de pressão eleitoral e de ameaças a defensores de direitos e jornalistas. A carta também cita a possibilidade de vazamento de informações sensíveis.
Posições oficiais
Roberto Montella, secretário-geral da OSCE-PA, respondeu à carta defendendo a integridade de Boyarskaya e afirmando que ela foi escolhida pela direção da organização com plena confiança. Não houve confirmação de ligações com serviços de segurança russos.
Segundo a OSCE-PA, Boyarskaya trabalha diretamente para o órgão, diferentemente de muitos funcionários que são cedidos pelos governos. A organização também afirmou que o governo russo não financia o salário da profissional.
Especialistas em segurança destacam que organizações internacionais são alvos potenciais de inteligência russa. A defesa ressalta a necessidade de garantias de confidencialidade para evitar pressões externas.
Boyarskaya afirma que cumpre as regras da OSCE, incluindo a proibição de instruções de autoridades nacionais. Ela nega vínculos com serviços de inteligência ou compartilhamento de informações com o governo russo.
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