- A Associação MATRIA defende “direitos baseados no sexo” e organiza políticas públicas a partir da definição biológica de mulher, excluindo a identidade de gênero como critério.
- O grupo tem participado de audiências públicas e debates legislativos no Brasil, com pauta de excluir mulheres trans do esporte, restringir banheiros femininos e não reconhecer identidade de gênero.
- A atuação da MATRIA se conectou a setores do bolsonarismo, ganhando visibilidade institucional e amplificação em espaços políticos.
- Em 11 de agosto de 2023, a associação criticou o julgamento do STF sobre mulheres trans no sistema prisional; em 26 de novembro de 2024, participou de audiência na Câmara sobre o Projeto de Lei 2276/2024, defendendo limites ao uso de banheiros com base no sexo biológico; recentemente participou de audiência no Senado com Damares Alves.
- Especialistas apontam que esse padrão de atuação se insere em uma dinâmica global de “gênero” como foco de campanhas conservadoras, associando ameaça à proteção de mulheres e crianças e justificando políticas de controle.
Uma polêmica sobre a definição de mulher ganhou contornos políticos ao redor da figura de Erika Hilton e da Comissão da Mulher. O debate se intensificou após a eleição da parlamentar para a presidência do colegiado. A discussão transcende normas institucionais e toca quem pode falar em nome das mulheres.
A reação a Hilton evidenciou tensões entre distintas leituras de gênero e cidadania. Frente a isso, emerge a atuação da MATRIA — Mulheres Associadas, Mães e Trabalhadoras do Brasil — que atua em audiências públicas e debates legislativos sobre questões de gênero.
A MATRIA defende políticas públicas baseadas no que chama de sexo biológico. Em seus documentos, afirma que a proteção jurídica deve partir da realidade material do sexo, o que exclui a identidade de gênero como critério. Essa linha é conhecida como feminismo gender-critical.
Panorama e atuação da MATRIA
A associação sustenta que banheiros, esportes e reconhecimento jurídico devem seguir o sexo biológico. Em 2023, criticou decisão do Supremo sobre mulheres trans no sistema prisional. Em 2024, participou de audiência sobre o uso de banheiros com base no sexo biológico, na Câmara dos Deputados.
No Senado, nesta semana, a MATRIA again participou de discussão sobre proteção de mulheres e fortalecimento da família, defendendo que a realidade material do sexo norteie políticas públicas. Segundo a entidade, o debate está ligado à segurança de mulheres e meninas.
Essa linha encontra eco em setores do bolsonarismo, que oferecem visibilidade institucional e amplificação midiática. Em síntese, a MATRIA atua dentro de uma rede que vincula discurso, atuação parlamentar e agendas conservadoras.
Contexto internacional e implicações políticas
Pesquisas apontam que a chamada agenda anti-gênero vem ganhando força em países europeus e nos EUA, com campanhas contra o que denominam ideologia de gênero. Autoras destacam a cooperação entre organizações da sociedade civil e lideranças políticas conservadoras.
A partir dessa dinâmica, cresce a ideia de que proteger mulheres exige restringir direitos de pessoas trans e negar reconhecimentos de identidade. O desenho político resultante tende a priorizar vigilância de corpos e pertencimento.
Consequências para políticas públicas e sociedade
Especialistas indicam que a centralização do sexo biológico pode afastar o foco de desigualdades estruturais, como renda e violência de gênero. A inclusão de trans e outras identidades em políticas de proteção continua em debate no Congresso e em espaços de participação civil.
O que se observa é uma articulação entre discurso, legitimidade institucional e projetos conservadores. O objetivo declarado é reforçar proteção a mulheres, mas há críticas sobre exclusão e impacto a direitos de minorias.
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