- A maior PAC de criptomoedas gastou mais de $10 milhões para apoiar candidatas na primária de Illinois, mas Juliana Stratton acabou vencendo a indicação democrata, apesar do investimento.
- Stratton recebe apoio de JB Pritzker, governador de Illinois, cujo casal doou $6 milhões ao super PAC que a apoia; o governador já promulgou leis para regulamentação de cripto no estado.
- O gasto de criptomoedas foi usado para promover promessas de regulação menos rígida, enquanto firmas de IA apoiaram candidatos opostos, dependendo dos pacotes de publicidade.
- Em comícios pela Câmara dos EUA, as moedas digitais apoiaram rivais de Stratton e de representantes como Raja Krishnamoorthi e Robin Kelly, com resultados mistos.
- Mesmo com grandes aportes, as ações vinculadas a IA e cripto chegaram a quase $ 20 milhões; especialistas dizem que o impacto político das empresas de tecnologia ainda é incerto.
A indústria de criptomoedas foi protagonista de uma leva expressiva de financiamento de campanhas nas primárias democratas de Illinois, mas acabou perdendo em grande parte. Grupos que trabalham com investimentos em cripto gastaram milhões para apoiar candidaturas que defendiam uma regulação mais flexível de ativos digitais. Ao mesmo tempo, empresas de IA apoiaram candidatos opostos, gerando um duplo impulso de investimento. O objetivo era influenciar o cenário regulatório e político estadual.
Fairshake, com ligação à indústria de cripto, desembolsou mais de US$ 10 milhões contra Juliana Stratton, que acabou vencendo a indicação para concorrer ao governo, visando suceder Dick Durbin no Senado. Stratton tem apoio do governador JB Pritzker, que junto com a esposa já doou cerca de US$ 6 milhões a um super PAC que sustenta a candidatura. Stratton não tem histórico específico em cripto, mas a imagem de alinhamento com as políticas do governador pesou no pleito.
O conjunto de organizações ligadas a cripto, como Fairshake e Protect Progress, também investiu milhões para sustentar candidaturas rivais de representantes que defendem maior regulação do setor, como Raja Krishnamoorthi e Robin Kelly. Os gastos foram registrados nas divulgações da Comissão Federal de Eleições (FEC) e contribuíram para um pleito com várias candidaturas competitivas.
Mudanças no cenário de vagas abertas
Entre as disputas pela Câmara dos EUA em Illinois, as campanhas apoiadas por tecnologia mostraram resultados mistos. La Shawn Ford, defensor de regulação do AI e cripto no estado, venceu a primária democrata para substituir Danny Davis, em meio a investimentos de diversas organizações contrárias e pró-Ford.
Donna Miller, vereadora de Cook County, teve sucesso na corrida para substituir Robin Kelly, após o gasto de Fairshake de mais de US$ 800 mil contra o senador estadual Peters, defensor de regulamentação do setor. A diferença entre iniciativas ampliou o debate sobre o peso das doações para candidaturas progressistas diante de um ambiente regulatório ainda incerto.
Dinâmica de financiamento de IA e cripto
No conjunto de disputas, as somas dos grupos apoiados por IA e cripto somaram quase US$ 20 milhões, refletindo a aposta de ambos os lados no impacto político. Observadores destacam a dificuldade de medir a influência pública diante de um grupo de eleitores com opinião ainda em formação sobre tecnologia e regulação.
“Dinheiro corporativo busca moldar a percepção de candidatos apoiados por grandes financiadores”, comenta um analista político que acompanha o setor. A discussão envolve o papel de políticas pró-mercado versus maior supervisão tecnológica.
Repercussões e perspectivas
Especialistas em financiamento de campanhas apontam que as novas dinâmicas de IA e cripto elevam as apostas nas eleições de meio de mandato de 2026, com estratégias de comunicação que vão além de mensagens diretas. O impacto a longo prazo depende da evolução de regulamentações estaduais e federais.
Para analistas, o desenrolar das disputas em Illinois ilustra o desafio de distinguir entre apoio a políticas específicas e a construção de uma coalizão política estável. A influência de doações bilionárias ainda aguarda avaliação pública mais aprofundada.
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