- O orçamento de ajuda bilateral do Reino Unido para a África será cortado em quase £ 900 milhões até 2028-29, uma redução de 56%.
- No total, mais de £ 6 bilhões em cortes precisam ser feitos para financiar aumento de despesas com defesa.
- A ajuda será cortada para países do G20, com foco maior em áreas de conflito; porém haverá proteção para o Líbano neste ano.
- Países como Moçambique, Malawi e Serra Leoa devem sentir fortes reduções, enquanto o suporte direto a Índia, África do Sul, Brasil e Indonésia será eliminado.
- A mudança prevê maior uso de contribuições multilateral, com prioridade a estados frágeis e zonas de conflito, mantendo financiamentos para a Organização Mundial da Saúde (Gavi) e para o British Council e o BBC World Service.
O Reino Unido reduzirá drasticamente sua ajuda bilateral para a África, com cortes de quase £900 milhões até 2028-29, equivalentes a 56% do orçamento. A medida integra um pacote de cortes superiores a £6 bilhões para financiar aumento no gasto com defesa.
A mudança rompe com a participação anterior em países de alto rendimento e reduz o apoio a nações como Índia, Indonésia e África do Sul. O núcleo agora se concentra em zonas de conflito, principalmente Ucrânia, Sudão e Palestina.
O financiamento neste ano será mantido para o Líbano, devido à intensidade da ofensiva atual de Israel. A reforma prevê que 70% de todo o apoio vá para estados mais frágeis ou com conflitos até 2029.
Reestruturação do orçamento e impactos
Países como Iêmen, Somália e Afeganistão devem sofrer cortes, ainda que recebam apoio de agências multilaterais. Países como Paquistão e Moçambique enfrentarão quase a totalidade da pobreza de desenvolvimento substituída por parcerias de investimento.
O Fundo de emergência para crises humanitárias também sofreu redução, de £85m para £75m, em meio a ajustes no planejamento financeiro do Foreign, Commonwealth and Development Office (FCDO).
Mudanças operacionais e prioridades
O FCDO planeja encerrar todo o financiamento bilateral em países do G20, com exceção de uma pequena alocação para recebimento de refugiados na Turquia. Não haverá verba direta para Índia, África do Sul, Brasil e Indonésia.
A ministra do Desenvolvimento, Jenny Chapman, descreveu a mudança como uma reformulação ampla de como o gasto em ajuda funcionará, ainda que haja o objetivo de voltar gradualmente à meta constitucional de 0,7% do PIB.
Reações e perspectivas
Alguns países africanos mais pobres, como Moçambique, Malawi e Serra Leoa, teriam preferência por parcerias de especialização com o Reino Unido, em áreas como sistemas financeiros estáveis e energia limpa, em vez de programas de ajuda tradicionais.
Organizações da sociedade civil destacam o impacto humano das reduções, sinalizando possível queda no acesso a saúde básica, educação e apoio humanitário, especialmente em contextos de conflito.
Continuidade e exceções
Os fundos para o British Council e para o BBC World Service permanecem protegidos. O Reino Unido manterá crédito de £240 milhões por ano até 2029, além de garantias de empréstimos para a Ucrânia e de financiamentos para Palestina e Líbano, para reduzir fluxos migratórios irregulares.
A medida também implica o fim de fundos para algumas parcerias globais, como a erradicação da poliomielite e o Fundo de Pandemia, que passarão a ser canalizados por Gavi e pelo Fundo Global.
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