- O Myki só terá pagamentos por aproximação disponíveis para todos os passageiros até o início de 2027, segundo auditoria.
- O atraso de dezoito meses foi causado por uma disputa entre o Departamento de Transportes de Victoria e a Conduent, elevando o custo em $136.8m.
- A Conduent recebeu contrato de $1,7 bilhão por quinze anos, em 2023, para atualizar o Myki com pagamentos sem contato.
- O relatório cita atraso na entrega do código-fonte do sistema atual, com disputas sobre direitos de propriedade intelectual.
- A nova linha do tempo prevê que pagamentos por aproximação entrem em vigor para tarifas integrais até início de 2026 (fase 2), concessionárias até meados de 2027 (fase 3) e operação total até meados de 2028; alguns usuários já testaram a tecnologia em trechos específicos.
O uso de pagamentos sem contato no transporte público de Victoria segue dependente do Myki até 2027, conforme relatório do Auditor-Geral do estado. A conclusão aponta que a disputa entre o governo e a empresa Conduent causou atraso de 18 meses e elevou o custo do projeto em 136,8 milhões de dólares. A mudança envolve a transição para pagamentos por cartão, celular ou relógio inteligente.
O contrato de 1,7 bilhão de dólares, firmado em 2023 com a Conduent, tinha como objetivo modernizar o Myki para permitir pagamentos por aproximação. Na época, o então ministro dos Transportes afirmou que a reforma levaria Victoria ao século 21. O relatório aponta que a assinatura ocorreu mesmo com avisos prévios sobre cronograma otimista.
O relatório do Vago, apresentado à Assembleia, detalha um período de seis meses de paralisação entre a DTP e a Conduent, iniciado em junho de 2024, que atrasou marcos e ampliou custos. Também aponta atraso na entrega do código-fonte do sistema atual, necessário para operar as duas plataformas durante a transição.
Cronologia e impactos
Segundo o documento, a timeline revisada projeta o funcionamento do tap-and-go para passageiros de tarifa integral no início de 2026 (fase 2). Concessões e uso em áreas regionais devem ocorrer até meados de 2027 (fase 3). A operação plena e a aposentadoria do Myki estão previstas para 2028.
O Vago ressalta que houve problemas de propriedade intelectual sobre o código-fonte, o que atrasou a adesão de novas etapas. Além disso, a transferência de tecnologia entre o sistema antigo e o novo ficou condicionada a acordos ainda não resolvidos.
Desafios e decisões
O relatório aponta que o cronograma sofreu revisões e que o departamento não resolveu previamente questões críticas antes da assinatura do contrato. O secretário de Transportes, Jeroen Weimar, informou que houve pausa em um contrato secundário de 34 milhões de dólares com a HCLTech para o desenvolvimento de tarifas com pagamento por aproximação.
A organização contraria possíveis pressões para acelerar a implantação, enfatizando, porém, a necessidade de manter o ritmo com controle de riscos. A declaração reforça que mudanças políticas, como a gratuidade para menores de 18 anos, impactaram o planejamento.
Repercussões e próximos passos
O movimento de testes já envolve alguns passageiros: linhas Craigieburn, Upfield, Ballarat e Seymour participam de um piloto para abandonar o Myki com o novo sistema. O andamento depende do desfecho de questões contratuais e regulatórias.
Daniel Bowen, defensor de usuários de transporte, chamou a atenção para a complexidade da implementação de tarifas de concessão no formato de pagamento por aproximação. Ele ressalta cautela governamental para evitar falhas passadas.
O governo aponta que o programa está alinhado com o cronograma revisado, mas reconhece desafios futuros. A continuidade das negociações com a Conduent e a HCLTech será determinante para cumprir as etapas previstas.
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