- Javier Solana, ex‑alto representante da União Europeia, descreve Ali Lariyaní como negociador nuclear iraniano muito sério e duro, mas racional, com interesse pela cultura do país.
- Lariyaní, que chefiava o Conselho de Segurança Nacional, morreu aos 67 anos em ataque do exército de Israel; teve papel central nas negociações nucleares que levaram ao acordo de 2015 e na repressão às protestas no Irã.
- Solana manteve encontros com Lariyaní desde 2003, em cidades como Roma, Madrid, Istambul e Teerã, lembrando almoços e jantares marcados por conversas sobre ciência e política.
- O acordo nuclear de 2015 teve base nas negociações em que Lariyaní participou; ele deixou o cargo em 2007 após divergências com o então presidente Mahmoud Ahmadineyad; os EUA, sob Donald Trump, romperam o pacto em 2018.
- Solana afirma que o regime pressionava por concessões e que grande parte das pressões que influenciaram as negociações vinham de Israel; Lariyaní não costumava criticar publicamente o regime.
Javier Solana, ex-alto representante da UE para a Política Externa, relembrou Ali Lariyaní, então negociador iraniano, como um interlocutor duro, porém racional. A amizade entre eles perdurou ao longo de anos de encontros na Europa, Ásia e Oriente Médio.
Solana descreveu Lariyaní como homem de nuance, culto e com uma família influente. Os almoços e jantares em Roma, Madrid, Istambul e Teerã ficam registrados em suas memórias, destacando a vida intelectual do interlocutor iraniano.
A relação próxima ajudou a moldar o caminho das negociações. Solana afirmou que as conversas entre ambos, muitas vezes em inglês sem tradutor, ocorreram em etapas lentas, porém consistentes, rumo a acordos de controle nuclear.
A trajetória de Lariyaní no regime iraniano
O ex-negociador ocupou por anos o posto de secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irã. A atuação dele ficou marcada tanto pelas negociações com o Ocidente quanto pela repressão interna que o regime empregou durante protestos recentes.
Suas funções e o papel no acordo nuclear
Lariyaní liderou a linha dura nas negociações, contribuindo para o que viria a ser um acordo nuclear fechado em 2015, aprovado pelos grandes países do Conselho de Segurança. A partir de 2007, deixou o cargo de chefe negociador, sucedido por Saeed Jalili, após divergências com o governo.
Solana indicou que a ruptura do acordo em 2018, sob pressão de aliados regionais, incluiu impactos de decisões tomadas por Israel. O ex-secretário geral da OTAN observou que mudanças políticas internacionais influenciam fortemente o diálogo com o Irã.
O falecimento de Lariyaní
Nesta semana, Ali Lariyaní foi morto em um bombardeio de Israel. A morte ocorre em meio a debates sobre o equilíbrio de poder regional e a repressão interna que o regime iraniano enfrentava, segundo fontes próximas ao tema. A confirmação ocorreu após as ações do Exército israelense.
Entre na conversa da comunidade