- EUA promoveram em Washington reuniões entre a República Democrática do Congo e Ruanda para avançar no processo de paz no leste do Congo, após sanções americanas a Ruanda em 2 de março.
- O encontro foi o primeiro desde as sanções à Ruanda e a quatro oficiais seniores das Forças de Defesa de Ruanda.
- Washington acusa Ruanda de apoiar o grupo M23; Ruanda nega o apoio.
- As partes concordaram com medidas para desescalar tensões e avançar no terreno, incluindo respeito à soberania, retirada de defesas por Ruanda em áreas definidas do território congolês, esforço do DRC para neutralizar a FDLR e proteção de civis.
- O M23 avançou rapidamente para Uvira em janeiro de 2025 e ainda controla partes do leste do Congo, mantendo o risco de escalada regional.
Washington sediou, nesta terça e quarta, representantes da República Democrática do Congo (RDC) e de Ruanda para tratar do processo de paz no leste do Congo, que permanece estagnado. O encontro ocorreu em meio a tensões entre os dois países.
Foi a primeira reunião entre as partes desde que o Tesouro dos EUA sancionou, em 2 de março, a Ruanda Defence Force e quatro altos oficiais. A sanção elevou o tom das cobranças sobre o papel de Ruanda na região.
Washington acusa Ruanda de apoiar o grupo rebelde M23, o que alega ter contribuído para a violência na RDC. Ruanda nega ter fornecido esse respaldo; o M23 realizou avanços significativos na região no início de 2025.
Progresso e próximos passos
Segundo a Casa Branca, a RDC e Ruanda concordaram em medidas coordenadas para desescalar tensões e avançar no terreno. O texto conjunto divulgado pelo Departamento de Estado especifica compromissos mútuos para respeitar soberania e integridade territorial.
Entre as medidas está o retiriamento de forças e o abandono de defesas por Ruanda em áreas definidas no território da RDC. Também houve acordo para ações com prazo definido para neutralizar o FDLR, grupo que tem origem entre exilados hutus.
O acordo de paz assinado em Washington, em dezembro, ocorreu no contexto de uma iniciativa do governo dos EUA para atrair investimentos ocidentais. Poucos dias depois, o M23 entrou em Uvira, município próximo à fronteira com Burundi, aumentando a escalada.
O grupo rebelde posteriormente se retirou sob pressão internacional, mas autoridades dos EUA destacaram neste mês o risco de que a permanência perto da fronteira com Burundi possa ampliar o conflito para uma guerra regional.
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