- Em 2019, Robert F. Kennedy Jr. visitou Samoa para promover suas posicionamentos sobre vacinas, enquanto a embaixada dos EUA, incluindo o então embaixador Scott Brown, recebia informações sobre as motivações da visita.
- Registros obtidos pelo Guardian mostram que Brown foi informado pela equipe da embaixada e chegou a se reunir com Kennedy na sede diplomática.
- A viagem ocorreu meses antes de um surto de sarampo em Samoa que resultou em 83 mortes, principalmente de crianças menores de cinco anos.
- Os e-mails indicam que a embaixada tentou isolar-se da visita de Kennedy, enquanto recebia consultas de veículos de imprensa sobre o tema e sobre Harding, funcionário envolvido na organização.
- Brown ajudou Kennedy a se preparar para audiências de confirmação no Senado para o cargo de secretário de saúde dos Estados Unidos, enquanto Kennedy negava ter ligação com vacinas durante o depoimento.
Robert F Kennedy Jr. teve uma viagem a Samoa em junho de 2019 sob escrutínio internacional, com novos registros divulgados pelo Guardian. Os documentos mostram que Scott Brown, então embaixador dos EUA na Nova Zelândia e Samoa, acompanhou de perto a resposta diplomática e o posicionamento da embaixada sobre a visita do político. Kennedy, à época líder de uma organização antivacinas, buscava apoio para a sua pauta e para sua imagem pública, especialmente em relação ao tema vacinal.
Os novos registros revelam que Brown foi informado pela equipe da embaixada de Samoa sobre a possibilidade da visita de Kennedy, destacando que o objetivo central seria levantar questões sobre vacinação. O depoimento indica ainda que o staff se esforçou para dissociar a embaixada da passagem de Kennedy, mesmo com encontros ocorrendo no consulado. A tentativa de manter distância ocorreu em meio a relatos de contatos com um blogger antivacina e com a presença de um funcionário envolvendo Harding, cuja participação foi alvo de ponderações internas.
Entre maio e junho de 2019, a relação entre Kennedy e a embaixada ganhou contorno com múltiplos e-mails internos. Greubel, então则 deputy chief of mission, enviou mensagens para Brown sobre a possibilidade de Kennedy comparecer à celebração do Dia da Independência de Samoa e sobre a real motivação da visita, vinculada a preocupações com vacinas. A correspondência também mostra conversas internas sobre como gerenciar a imagem pública do evento.
Em Samoa, Kennedy reuniu-se com pessoas ligadas a críticas a vacinas, conforme apontam alguns e-mails da embaixada. Ao mesmo tempo, houve solicitações de imprensa sobre a presença do visitante e sobre Harding, com outras mensagens sugerindo reservas da embaixada quanto à participação de Kennedy em atividades associadas a antivacina. Registros indicam que a embaixada respondeu a perguntas da imprensa no período, incluindo consultas de veículos da Nova Zelândia e do The New York Times.
Anos depois, Kennedy ocupou o posto de secretário de Saúde sob a gestão de Donald Trump, o que reacendeu questionamentos sobre o papel da viagem de Samoa em seu histórico público. Brown afirmou ter ajudado Kennedy a preparar partes de seu depoimento ante o Senado, especialmente em relação a temas que poderiam surgir durante as sabatinas. Kennedy, por sua vez, reiterou que a visita não teve relação com vacinação, afirmação que ficou sob escrutínio perante novas evidências.
O caso teve impacto político em meio a debates sobre políticas de vacinação e a atuação de Kennedy na cena pública. As informações surgem em meio a uma segunda leva de registros do Departamento de Estado, obtidos após processo judicial com apoio da Reporters Committee for Freedom of the Press. As informações reforçam a necessidade de checagem cuidadosa de versões oficiais diante de evidências contraditórias.
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