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Aliado pró-Kremlin pede julgamento de Putin em rara explosão

Líder pró-regime rompe com Putin, acusa guerra falha e pede renúncia e julgamento por crimes de guerra

Putin at the Kremlin last week. Very few people in Russia have openly challenged the Russian president over the war on Ukraine.
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  • Ilya Remeslo, 42 anos, ex-operador pró-Kremlin, publicou na Telegram um manifesto intitulado “Five reasons why I stopped supporting Vladimir Putin” para seus 90 mil seguidores.
  • No texto, ele chamou Putin de “illegitimate” e acusou a guerra na Ucrânia de falha, com milhões de vítimas e que a economia foi devastada, defendendo que o poder absoluto corrompe.
  • Remeslo pediu a resignação de Putin e que ele seja levado a julgamento como criminoso de guerra, afirmando que o Exército não avança e que a guerra não leva a lugar algum.
  • Ele criticou o regime autoritário, a economia e os recentes bloqueios de internet em Moscou, dizendo que o país está “se desmoronando.”
  • A postagem provocou surpresa no eixo pró-guerra; autoridades teriam ligado para ele pedindo retirada, e há dúvidas sobre se o episódio é genuíno ou manipulado, conforme analistas citados.

Ilya Remeslo, advogado de 42 anos, rompeu com o Kremlin ao publicar um manifesto no Telegram na noite de terça-feira. O texto, dirigido aos seus 90 mil seguidores, traz cinco razões para deixar Vladimir Putin. O ataque público ocorre em meio a críticas ao governo e ao conflito na Ucrânia.

Remeslo, conhecido por ações contra críticos do regime, afirma que o presidente russo comanda um sistema personalista e corrupto. Ele sustenta que a guerra na Ucrânia é mal conduzida, com grandes perdas e sem ganhos estratégicos para a Rússia. O autor alerta para o colapso do atual regime.

O ex-aliado de Moscow também critica a repressão e o controle da internet, dizendo que o país está se desintegrando. Em entrevista a O Guardian, ele reiterou que Putin deveria renunciar e enfrentar um processo. As declarações geraram surpresa entre analistas pró-guerra.

Remeslo já atuou no âmbito da Câmara Pública e delatou opositores, inclusive o líder Alexei Navalny. Especialistas dizem que a mudança de postura é incomum entre a base pró-Kremlin e pode sinalizar tensões internas. Ainda não há confirmação sobre motivação recente.

Especialistas apontam que a fala de Remeslo pode ter sido motivada por cansaço com a administração, mas não há consenso sobre autenticidade ou planejamento de desfecho. Alguns sugerem possível golpe de efeito ou tentativa de testar lealdades.

A repercussão entre a oposição é mista. Lep Volkov, aliado de Navalny, inicialmente duvidou da veracidade, mas reconheceu que as declarações vão além do que o Kremlin costuma sancionar. A análise aponta para impacto simbólico relevante.

Remeslo afirma que não está sob orientação de ninguém e admite possível risco legal. O ex-analista político diz ter chegado à conclusão de que é necessário criticar o governo para evitar danos maiores à Rússia.

Em meio ao episódio, autoridades e serviços de segurança teriam pressionado Remeslo para retirar as mensagens, segundo ele. O episódio ocorre em um momento de cansaço popular com a guerra e de interrupções de serviços de internet.

Embora haja ceticismo, o caso mostra que mesmo apoiadores históricos podem questionar o núcleo do poder. A narrativa de Remeslo se soma a tendências de descontentamento público com a condução do conflito e da economia.

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