- O parlamento da Noruega aprovou por unanimidade criar uma comissão independente para apurar ligações entre o Ministério das Relações Exteriores e Jeffrey Epstein.
- O primeiro-ministro, Jonas Gahr Støre, afirmou que os arquivos do Departamento de Justiça dos EUA mostram que é possível comprar influência se houver dinheiro suficiente.
- Os documentos indicam ligações de noruegueses em posições centrais e confiáveis, levantando questões sobre possíveis violações legais e éticas.
- Økokrim investiga Mona Juul, ex-embaixadora da Noruega, e Terje Rød-Larsen, ex-diplomata, por suspeita de corrupção; Jagland e Brende também aparecem nos arquivos.
- A comissão também vai investigar campanhas para cargos internacionais e a alocação de ajuda ao desenvolvimento, além de atualizar a confiança pública nas instituições.
O parlamento da Noruega aprovou, por votação unânime, a criação de uma comissão independente para investigar ligações entre o ministério das Relações Exteriores e o falecido financiador Jeffrey Epstein. A decisão ocorreu após a divulgação de documentos norte-americanos.
O primeiro-ministro Jonas Gahr Støre afirmou que as informações indicam vínculos entre noruegueses em posições de maior influência. Ele ressaltou a necessidade de esclarecer se tais ligações violam a lei ou normas éticas da sociedade.
A divulgação dos arquivos de Epstein, em janeiro, gerou choque no país ao citar figuras de alto escalão, incluindo a princesa herdada e um ex-primeiro-ministro. O caso também envolveu o ministério das Relações Exteriores, por meio de investigações de corrupção.
Contexto inicial e objetivos da comissão
A Økokrim, polícia de crimes financeiros, investiga Mona Juul, ex-embaixadora da Noruega na Jordânia e no Iraque, por suspeita de corrupção grave. O marido dela, Terje Rød-Larsen, também é alvo de apuração por possível conivência.
Juul e Rød-Larsen participaram de um grupo de diplomatas ligados aos Acordos de Oslo (1993-1995). Os documentos indicam que filhos de Juul teriam recebido US$ 10 milhões de Epstein, e que Rød-Larsen foi secretário testamentário do magnata, em 2017, cargo posteriormente revogado.
Além disso, Thorbjørn Jagland, ex-primeiro-ministro e ex-presidente do comitê Nobel, passa por investigação por corrupção grave. O advogado dele afirma que não há circunstâncias que justifiquem responsabilidade criminal. Børge Brende também aparece nos papéis.
Desdobramentos e próximos passos
A comissão independente terá poder para examinar também campanhas norueguesas para cargos internacionais e o uso de ajuda ao desenvolvimento. Støre disse que o governo revisará concessões e contatos com organizações internacionais citadas nos arquivos.
O premiê ressaltou que o Ministério das Relações Exteriores realiza um trabalho importante para a Noruega, contribuindo para ações de justiça e paz mundial. Ele afirmou que todas as informações devem ser abertas à discussão pública, sem criação de desconfiança indevida.
A expectativa é que o relatório da comissão, ainda a ser apresentado, sirva para esclarecer dúvidas públicas e orientar eventuais medidas. O governo afirmou que analisará o documento com rigor e transparência.
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