- O instituto sueco V-Dem afirma que os Estados Unidos deixaram de ser uma democracia liberal, em um processo rápido de autocratização.
- O relatório aponta concentração de poder na presidência, deslegitimação do Congresso e queda de direitos civis e liberdade de expressão no país.
- Em 2025, houve grande uso de decretos pelo presidente, com centenas de funcionários demitidos ou substituídos por fiéis, enquanto o Judiciário foi cada vez mais contornado.
- Globalmente, a democracia recuou a níveis não vistos desde os anos setenta, com 41% da população mundial vivendo sob regimes autocráticos.
- A pesquisa destaca que Reino Unido, Hungria, Grécia, Croácia, Eslováquia, Itália e Romênia enfrentam autocratização; apenas poucos países ainda caminham para a ampliação de liberdades.
O Instituto V-Dem, da Universidade de Gotemburgo, afirma que os Estados Unidos deixaram de ser uma democracia liberal e estão em caminho para autocracia. O relatório anual aponta que o país evolui rapidamente para o regime autocrático, mais depressa que Hungria e Turquia.
Segundo o estudo, a queda da democracia americana é a mais acentuada já registrada. A avaliação utiliza 48 métricas, incluindo liberdade de expressão, qualidade das eleições e observância do Estado de direito. O período atual é descrito como uma autopressão de poderes no Executivo.
O relatório ressalta que o Congresso tem marginalizado-se, abrindo espaço para consolidar o poder na presidência. Ajudas a instituições, como tribunais, aparecem como limitadas, e direitos civis registram declínio. A imprensa também enfrenta restrições crescentes.
Os autores destacam casos recentes envolvendo ações do governo, como ampla agenda de ordens executivas em comparação com a atuação do Legislativo, que teria apresentado poucas leis de efeito. O texto analisa impactos na separação dos Poderes e na fiscalização das decisões presidenciais.
O documento também aponta que o Judiciário tem abdicado, em parte, de frear medidas executivas. Existem mais de 600 processos judiciais envolvendo a administração Trump. O relatório cita ainda desligamento de inspetores-gerais e nomeação de aliados para cargos-chave.
Entre as principais implicações, a V-Dem aponta risco de erosão de guardrails internos que protegem o governo de abusos de poder. O estudo diz que a prática de substituição de servidores por leais ao presidente é compatível com padrões observados em regimes autoritários no passado.
No âmbito global, o estudo revela uma recuperação fraca da democracia mundial, com um recorde de 41% da população sob regimes autocráticos. Em várias democracias europeias, a tendência inclui restrições a liberdades de expressão e de imprensa, bem como repressão a organizações da sociedade civil.
Entre as leituras do relatório para a Europa, verifica-se que sete Estados-membros da UE seriam afetados pela autocratização. No mapa global, apenas 18 países estariam em trajetória de maior democratização, em contraste com o recuo de muitos outros.
A análise aponta que, apesar de eleições livres ainda ocorrerem nos EUA, as ameaças ao sistema eleitoral persistem, com relatos de pressão sobre trabalhadores eleitorais e dúvidas sobre a aceitação de resultados. O relatório encerra destacando que a situação americada deve ser monitorada sem simplificações.
Entre na conversa da comunidade