- O presidente da Suprema Corte dos EUA, John Roberts, pediu o fim da hostilidade pessoal contra juízes, considerada perigosa.
- O comentário ocorreu em evento na Rice University, em Houston, dias após críticas de Donald Trump a magistrados que decidiram contra ele.
- Roberts afirmou que críticas a decisões jurídicas são bem-vindas, mas ataques pessoais aos juízes cruzam o limite e são perigosos.
- O tema surge em meio a acusações de Trump e de aliados sobre decisões judiciais que frearam sua agenda política.
- A corte, com maioria conservadora, já apoiou Trump em algumas ações, enquanto rejeitou recentemente tarifas globais propostas pelo governo.
Chief justice dos EUA, John Roberts, pediu nesta terça-feira o fim de hostilidade pessoal contra juízes, que ele chamou de perigosa e inaceitável. O alerta veio dias após críticas de Donald Trump a magistrados que lhe negaram decisões.
Roberts participou de um evento na Rice University, em Houston, mas não citou Trump nominalmente. O texto ressalta que críticas a decisões judiciais são bem-vindas, desde que não atinjam o plano pessoal.
O líder da Suprema Corte destacou ainda que a crítica legal é válida, mas ataques direcionados a personalidades podem representar um risco real para a independência judicial. Juízes trabalham para decidir com rigor, afirmou.
Contexto político
Trump tem dirigido ataques a juízes que bloquearam medidas de sua agenda, incluindo ações envolvendo investigações em Washington. O presidente pediu afastamento e punição para magistrados em várias ocasiões, o que gerou rebuliho no debate público.
Roberts já criticou publicamente o uso da ameaça de impeachment como resposta a decisões judiciais, em tom raro para o ambiente do tribunal. O principal grupo conservador tem sido favorável a várias decisões da corte, em especial em questões de caráter de emergência.
O histórico recente registra tensões entre a gestão Trump e a Justiça, com o tribunal anulando parte das tarifas globais propostas pelo governo, sob uma decisão escrita pelo próprio Roberts. Trump reagiu ao veredictos contrários com críticas a magistrados nomeados por ele.
Vigilância institucional
Em seu relatório de fim de ano de 2024, Roberts apontou que violência, intimidação e desinformação contra juízes representam uma ameaça à independência do Judiciário. O documento reforça a necessidade de preservar a imparcialidade judicial frente a pressões externas.
A reportagem também ressalta que o tribunal tem adotado decisões contrárias às pretensões de Trump, mesmo com divergências entre os integrantes da maioria conservadora de 6 a 3. Não há, no entanto, distanciamento formal entre as alas.
Reprodução de informações e desdobramentos adicionais continuam sob apuração de agências, com destaque para o envolvimento de figuras políticas e de autoridades judiciais em casos de grande repercussão nacional.
— Reuters contribuiu com apurações.
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