- Um conselho regional de New South Wales abandonou a ideia de proibir a exibição das bandeiras aborígene e das Ilhas do Estreito de Torres, após quase 700 submissões críticas.
- As bandeiras foram removidas provisoriamente por causa do procedimento do conselho, mesmo antes de uma decisão final.
- A votação ocorreu numa reunião em Urana, com quatro vereadores a favor da remoção das bandeiras, três contra e um abstenção.
- Um vereador propôs, em alternativa, retomar o plano de ação de reconciliação com os povos Wiradjuri e Bangerang, destacando que o devido processo não teria sido seguido.
- As bandeiras ficavam dentro das câmaras desde 2022; não havia resolução formal para certificar a instalação.
A prefeitura regional de Federation, em NSW, abandonou um plano polêmico de proibir a exibição das bandeiras Aborígene e de Torres Strait Islander. A decisão veio após quase 700 manifestações críticas ao tema. As bandeiras foram removidas, pelo menos temporariamente, por procedimento do conselho.
A ideia foi apresentada pela prefeita Cheryl Cook, em novembro, como parte de uma emenda ao protocolo de povos Aborígenes e Torres Strait Islander do conselho. O projeto também sugeria não permitir cerimônias de welcome to country em eventos do município, salvo se aprovadas por resolução do conselho.
O processo seguiu para consulta pública, com 884 contribuições. A maioria, 78%, foi contrária à proposta. Apenas 100 envios foram a favor. Entre quem reside na região, 84% rejeitaram a medida e 16% apoiaram.
Desdobramentos e votação
Uma reunião tensa em Urana, na manhã de terça, resultou em votação dividida. Quatro vereadores apoiaram a retirada das bandeiras e três votaram contra; o sexto vereador, Derek Shoen, abstiver-se. Shoen apresentou uma alternativa para retomar o RAP com Wiradjuri e Bangerang, alegando devido processo não ter sido seguido.
As bandeiras Aborígene e Torres Strait Islander estão penduradas no plenário de Corowa desde 2022, mas não em mastros externos. Shoen argumentou que manter apenas no interior seria um gesto simbólico, enquanto outras vozes defendiam que as bandeiras devem ficar visíveis externamente.
Mesmo com a moção de Shoen aprovada por 5 a 4, as bandeiras foram removidas, pois não havia resolução formal certificando sua instalação. O resultado ocorre 18 meses após uma marcha de cerca de 50 neonazistas em Corowa, evento citado em novas discussões sobre representatividade local.
Publicações locais mostraram opiniões divergentes sobre a retirada. Em uma das manifestações, alguém afirmou que a remoção das bandeiras não combate o racismo e pode sinalizar o oposto. Em contrapartida, outros moradores destacaram a importância de visibilidade das culturas First Nations para o sentimento de acolhimento.
Em novembro, Cook disse que a proposta visava unir a cidade sob um único símbolo soberano, com base em feedback dos contribuintes que pediam a retirada das bandeiras e restrições às cerimônias de welcome. A prefeita reiterou que a decisão expressa a opinião pública local.
O encontro terminou antes do previsto, com gritaria de parte do público contra a fala de Cook. As discussões refletem o desafio de equilibrar símbolos culturais e percepções de unidade na região.
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