- Nicolas Sarkozy voltou a enfrentar o tribunal em Paris no processo de apelação sobre a suposta financing ilegal da campanha de 2007 pelo regime libio de Muamar Gadafi, após ter sido condenado, em setembro de 2025, a cinco anos de prisão com pena em firme.
- O ex-presidente, de 71 anos, apareceu sozinho no tribunal, sem a esposa Carla Bruni; os filhos estiveram presentes no julgamento de primeira instância.
- O julgamento de apelação deve se estender até o início de junho, com reexame de provas e novos interrogatórios de testemunhas. A sentença de primeira instância considerou existente um pacto de corrupção, mas não comprovou que o dinheiro tenha chegado às mãos de Sarkozy.
- Além de Sarkozy, outros de seus colaboradores próximos foram condenados em primeira instância, como Claude Guéant e Brice Hortefeux; alguns testemunhos morreram antes do início do novo processo.
- Em paralelo, em 9 de março, o tribunal de Paris rejeitou o pedido de redução de penas de Sarkozy em outros dois casos: Bygmalion, sobre financiamento ilegal da campanha de 2012, e Bismuth, por corrupção e tráfico de influências.
Nicolas Sarkozy voltou aos tribunais nesta segunda-feira para o julgamento em apelação do caso de financiamento ilegal da campanha de 2007, supostamente recebido do regime libio de Muamar Gadafi. O ex-presidente francês, que passou semanas na prisão após a condenação em primeira instância, recorre da sentença.
O processo envolve o uso de recursos do governo líbio para financiar a campanha que levou Sarkozy ao Palácio do Eliseu. A primeira decisão, tomada em setembro de 2025, o condenou por associação ilícita e determinou pena de cinco anos de prisão, com regime de prisão já cumprido parcialmente.
Sarkozy, de 71 anos, compareceu ao antigo Tribunal de Justiça de Paris sozinho, sem a esposa Carla Bruni, que esteve ausente na fase inicial. O ex-presidente já havia sido destacado pela sociedade pela prisão, embora tenha retornado à vida pública após a saída.
Quem está envolvido
Entre os condenados na primeira instância, além de Sarkozy, estão colaboradores próximos que depois ocuparam cargos ministros, como Claude Guéant e Brice Hortefeux. O caso envolve ainda a figura de testemunhas e terceiros ligados ao financiamento, com algumas desfeitas pela morte de entre as testemunhas antes do julgamento.
A instrução do caso se estendeu por anos, com a promotoria apontando um pacto de corrupção entre o círculo de Sarkozy e o regime líbio. Não ficou comprovado, porém, que o dinheiro tenha chegado fisicamente às mãos do ex-presidente, o que levou à condenação por associação ilícita, e não por corrupção.
Situação atual do julgamento
O processo em apelação deverá tramar novas audiências e reexame de provas até o começo de junho. Testemunhas devem ser novamente interrogadas e novas informações podem emergir, ampliando o escrutínio sobre o financiamento da campanha de 2007.
Além desse caso, Sarkozy enfrenta outros motivos de cobrança judicial. Em março, o tribunal de Paris negou o pedido de comutação de penas em dois processos, incluindo o caso Bygmalion, referente à campanha de 2012, e o caso Bismuth, por corrupção e tráfico de influências.
Contexto e desdobramentos
Essa é a mais recente frente judicial envolvendo o ex-chefe de Estado, que já tem base de apoio entre parte da população, embora responda a múltiplas ações. Saif al Islam Gadafi, também citado no caso, faleceu em fevereiro em circunstâncias relacionadas a conflitos políticos internacionais.
O desfecho do recurso permanece aberto, com as defesas alegando inocência e os avisos de que o processo poderá se estender por mais tempo. As informações oficiais são apresentadas pela Justiça francesa sem adesão a opinões externas ou interpretações políticas.
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