- PT abriu negociações para a candidatura ao governo do Maranhão com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, considerado “isentão” e líder de pesquisas.
- A tentativa de consenso falhou entre dois aliados de Lula, o vice-governador Felipe Camarão e o governador Carlos Brandão, que tenta colocar o sobrinho Orleans Brandão na disputa.
- Pesquisas indicam Braide na liderança, seguido por Orleans Brandão, Lahesio Bonfim e Camarão; Camarão aparece com cerca de 6,9% das intenções.
- Braide contratou pesquisa para avaliar a viabilidade de concorrer com apoio de Lula; há sinal de possível saída da prefeitura de Braide perto do prazo.
- Eliziane Gama é citada como apoio à articulação, com possibilidade de compor a chapa; Orleans Brandão é alvo de resistência do PT, enquanto Brandão busca manter o sobrinho no governo.
O PT do Maranhão discutiu a candidatura ao governo do estado buscando um palanque viável diante de uma disputa interna entre aliados de Lula. O prefeito de São Luís, Eduardo Braide, conhecido pelo perfil “isentão”, é visto como solução para o impasse entre o vice-governador Felipe Camarão e o governador Carlos Brandão. A atuação do PT visa evitar repetir o cenário de 2022, quando o partido não apoiou nenhum candidato presidencial de forma explícita no estado.
Segundo fontes de bastidores, o PT nacional teme perder o timing caso não encontre um nome capaz de consolidar apoio ao presidente Lula no Maranhão, um estado historicamente lulista. A avaliação interna aponta que Camarão tem menos de 10% de intenções de voto, o que fortalece a necessidade de um palanque robusto na região. Braide aparece com vantagem em pesquisas recentes.
A sinergia entre Braide e o PT envolve a possibilidade de compartilhar a chapa com nomes relevantes da base governista, incluindo a senadora Eliziane Gama e o ministro André Fufuca. Eliziane integra um grupo de lideranças evangélicas próximas a Lula; a hipótese é que ela assuma a vice ou dispute o Senado, enquanto Fufuca sinaliza apoio ao palanque onde Lula estiver.
Conflitos entre o governador e o vice
A principal resistência no campo de Brandão é a insistência em lançar Orleans Brandão, sobrinho dele, para o governo, recusando alternativas que gerem consenso. O PT maranhense e tradicionais aliados divergentes do ex-governador Flávio Dino rejeitam o nome, citando histórico de disputas locais.
Brandão afirma que Orleans tem melhor desempenho entre os apoiadores de Lula e sustenta que já há acerto com várias siglas da base para apoiar o sobrinho. O governador sustenta ainda que não planeja renunciar e pretende manter o mandato até o fim para favorecer a candidatura de Orleans ao Senado.
Nos bastidores, Camarão já sinalizou que pode concorrer ao Senado caso o acordo não avance. A tensão entre o grupo que sustenta Dino e o atual Palácio dos Leões tem marcado o ambiente político desde o início da gestão de Brandão, em 2023, com rupturas em acordos passados.
Cenário externo e perspectivas
A movimentação em torno do Maranhão lembra o recente episódio de Pernambuco, quando um palanque sem alinhamento claro resultou em vitória de um adversário presidenciável. O PT busca evitar que situações parecidas se repitam no estado, mantendo neutralidade estratégica onde for necessário e fortalecendo a articulação com aliados nacionais.
Fontes do UOL indicam que Braide contratou pesquisa para avaliar a aceitação de uma candidatura ao governo associada ao nome de Lula, buscando medir o impacto em eleitores de direita, especialmente entre apoiadores de Bolsonaro. As informações destacam a complexa dança entre as bases locais e as instruções nacionais do partido.
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