- A chefe de política externa da UE, Kaja Kallas, discutiu com a Organização das Nações Unidas a ideia de liberar o tráfego de petróleo e gás pelo Estreito de Hormuz, replicando o modelo de iniciativa que abriu o Mar Negro para grãos durante a guerra.
- Kallas mencionou ter conversado com o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, sobre tornar o estreito novamente utilizável.
- O Estreito de Hormuz está bloqueado pela guerra envolvendo o Irã, com ataques a navios que afetam parte significativa do abastecimento global de petróleo.
- A ideia envolve possivelmente alterar o mandato da missão naval da UE no Oriente Médio, Aspides, que hoje protege navios no Mar Vermelho, para contribuir com o estreito.
- A chanceler destacou a necessidade de apoio dos Estados-membros e avaliou implicações para energia na Ásia e para a produção de fertilizantes, com possíveis consequências alimentares no futuro.
A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou na segunda-feira ter discutido com a Organização das Nações Unidas a possibilidade de desbloquear o transporte de petróleo e gás pelo Estreito de Hormuz, replicando o modelo já aplicado no Mar Negro. A ideia foi mencionada ao chegar a uma reunião de ministros das Relações Exteriores da UE em Bruxelas.
Kallas informou ter conversado com o secretário-geral da ONU, António Guterres, sobre a viabilidade de uma iniciativa similar à do Mar Negro, visando manter a passagem de navegação aberta. O Estreito de Hormuz está hoje sob bloqueio efetivo em meio ao conflito entre EUA e Israel contra o Irã, em sua terceira semana.
O estreito, crucial para o abastecimento global de energia, tem sido alvo de ataques de forças iranianas a navios na região entre o Irã e Omã, o que prejudica o fornecimento de aproximadamente um quinto do petróleo mundial. A crise também pode impactar a produção de fertilizantes, com desdobramentos para a segurança alimentar futura.
Kallas ressaltou que o tema envolve não apenas energia, mas também impactos logísticos e de fertilizantes. Ela mencionou a necessidade de avaliar medidas que mantenham Hormuz aberto sem ampliar tensões no Indo-Pacífico. As discussões devem considerar a participação dos estados-membros da UE.
Além disso, a comissária-chefe informou que ministros vão avaliar a possibilidade de alterar o mandato da missão naval europeia Aspides, atualmente voltada para proteger navios no Mar Vermelho contra o grupo Houthis. A ideia é avaliar se o esforço pode contribuir para o Estreito de Hormuz, dependendo da viabilidade e do apoio entre os membros.
A comitiva europeia também enfatizou a importância de manter o estreito desobstruído para assegurar entregas de energia à Ásia e, indiretamente, evitar interrupções na produção de fertilizantes e na cadeia alimentar. A discussão ocorre em meio a ceticismo de alguns ministros sobre a efetividade de Aspides na região, exigindo alinhamento entre os Estados-membros.
O que foi discutido e próximos passos
Ministros irão avaliar a viabilidade de adaptar instrumentos existentes da UE para o contexto do Estreito de Hormuz. O objetivo é manter a rota aberta sem desperdiçar recursos ou gerar nova escalada. O debate deve esclarecer até que ponto a UE pode agir de forma coordenada com atores internacionais.
A UE ainda não anunciou medidas concretas, mas reforça a necessidade de cooperação entre organisme s internacionais e Estados-membros. As discussões continuam em Bruxelas, com foco em garantias de navegação segura e estável na região.
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