- RN teve vitórias em bastiões do sul e do norte, reconquistou Perpignan e ficou em segundo em Marseille, mas apresenta desempenho fraco em grandes cidades fora dessas regiões.
- O LFI passou a dificultar o cálculo da esquerda, vencendo Saint-Denis e abrindo caminho para Roubaix, o que complica alianças locais antes do segundo turno.
- Os Greens sofrem perda de momentum, com o prefeito verde de Strasbourg em terceiro e candidaturas em Bordeaux e Lyon sem garantia de vitória no pleito decisivo.
- O centrismo mantém desempenho modesto em Le Havre, onde Edouard Philippe venceu a primeira rodada com 43,8% e pode retomar a prefeitura no segundo turno.
- Em Paris, Sarah Knafo surpreende ao obter 10% e avançar ao segundo turno, sinalizando o dilema da direita tradicional entre manter o cordão sanitaire ou buscar parceria com a extrema direita.
O primeiro turno das eleições municipais na França ocorreu no domingo, oferecendo um retrato da situação política do país e das alianças que poderão definir os vencedores no pleito de retomo. Os resultados mostram força regional de partidos, além de indicar limites para o crescimento de candidaturas em grandes cidades. O pleito antecede a votação de segundo turno, marcada para a próxima semana.
Resultados apontam ganhos expressivos do RN em bases tradicionais de direita, com vitórias em Perpignan e boa posição em Marseille. O desempenho no Mediterrâneo contrasta com fracos resultados em cidades grandes fora de sua área de influência, como Paris, Lyon, Toulouse, Nantes, Strasbourg e Bordeaux. O panorama sugere avanço limitado do partido fora de seus redutos.
O LFI, liderado por Jean-Luc Mélenchon, surpreendeu ao confirmar força em áreas urbanas, vencendo Saint-Denis e sinalizando possibilidade de tomar Roubaix. O desempenho complica o cálculo da esquerda tradicional, que avalia alianças com o movimento nas próximas etapas eleitorais e pode testar divisões em ano de eleição presidencial.
Os Verdes enfrentam desgaste, com resultados abaixo do esperado em várias frentes. Estrategicamente, a prioridade urbana do ecologismo não se traduziu em vitórias expressivas nas primeiras perguntas, refletindo mudança de prioridades dos eleitores em meio a crises econômicas.
O centrismo de Emmanuel Macron manteve presença moderada, porém sem bases profundas em localidades, exceto Le Havre. Em Le Havre, Edouard Philippe teve desempenho relevante, abrindo caminho para o favoritismo do centrismo na corrida presidencial de 2027 e pressionando adversários a definirem alianças.
No capitólio parisiense, a surpreendente atuação do lado nacionalista ficou por conta de Sarah Knafo, com 10% dos votos em Paris. O resultado destaca o desafio da direita tradicional: manter o cordão sanitário ao redor da direita radical ou buscar cooperação com ela, para recuperar espaço eleitoral.
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