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Reino Unido precisa de dissuasor nuclear independente dos EUA, afirma Ed Davey

Líder liberal defende arsenal britânico autônomo, com produção local; custo bilionário e fim da dependência estratégica dos EUA com Trump no comando

Ed Davey waves while speaking into a microphone on a stage
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  • Ed Davey, líder do Partido Liberal Democrata, afirma que o Reino Unido deve ter uma dissuasão nuclear totalmente independente do exterior, produzindo e mantendo armas no país.
  • A proposta, apresentada durante a conferência de primavera dos liberais em York, reconhece que isso custará bilhões de libras.
  • O argumento baseia-se na visão de que, sob a presidência de Donald Trump, os EUA não são mais um aliado tão confiável para a segurança europeia.
  • Atualmente, o programa nuclear britânico, Trident, depende fortemente dos EUA, com armas fabricadas nos EUA e manutenções enviadas ao país.
  • O objetivo é investir na indústria britânica, garantindo uma dissuasão independente, mesmo diante de custos elevados e pressões de defesa atuais.

O líder do Liberal Democrats, Ed Davey, deve defender que a Grã-Bretanha precisa de uma dissuasão nuclear inteiramente independente dos EUA. A afirmação será feita em discurso durante a conferência de primavera do partido, em York, neste fim de semana.

Davey argumenta que o Reino Unido não pode mais confiar na aliança com os EUA enquanto Donald Trump estiver na presidência. Segundo ele, a segurança britânica não deve depender da vontade de indivíduos no poder, e o UK precisa manter arsenais sob controle britânico.

O plano envolve fabricar e manter as armas nucleares no território britânico, uma mudança que, segundo o líder, exigiria investimentos bilionários. O objetivo é uma dissuasão cuja operação seja liberalizada da influência externa.

Contexto da dependência nuclear

Actualmente, o programa Trident da Grã-Bretanha, com base em Faslane, às margens do Clyde, depende fortemente de input norte-americano. As ogivas são fabricadas nos EUA e passam por manutenção em território americano.

Como defesa, o Reino Unido poderia optar por lançar mísseis sem consulta a aliados, mas a operacionalidade do Trident está vinculada à cooperação com o contingente americano. A depender de mudanças políticas, o funcionamento poderia ser afetado.

Davey descreve a situação como um risco para a autonomia estratégica do país. Ele sustenta que, mesmo diante de pressões orçamentárias, o investimento na ciência e na indústria britânicas pode viabilizar uma capacidade de dissuasão plenamente nacional.

Custos e implicações

O líder do LibDems reconhece que o custo de construir uma capacidade nuclear independente seria elevado nas próximas décadas. Em vez de repassar recursos a indústrias de defesa estrangeiras, ele propõe direcionar investimentos para a produção e pesquisa nacionais.

Entre as metas, está reduzir a dependência de fornecedores externos para a manutenção de sistemas de armamento. A defesa britânica, segundo ele, exigiria planejamento estratégico com foco na soberania tecnológica.

Davey aponta que a orientação de política externa de Washington, segundo ele, tem impacto direto sobre a segurança europeia. Ele cita episódios envolvendo Trump para sustentar a tese de uma aliança menos previsível.

Desdobramentos políticos

O discurso é interpretado como uma ofensiva para reconquistar eleitores que se mostraram desiludidos com a relação britânica com a administração norte-americana. O lançamento de um programa soberano seria apresentado como alternativa, dentro de um quadro multilateralmente responsável.

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