- À meia-noite de sábado, a sede do Comitê Municipal do Partido Comunista, único partido autorizado, foi atacada em Morón, província de Ciego de Ávila.
- Cinco pessoas foram presas por atos de vandalismo; houve apedrejamento da entrada e fogo na rua com móveis da recepção.
- Protestos contra apagões e escassez de alimentos ocorrem em Morón, cidade com aproximadamente setenta mil habitantes, onde há apenas uma hora e meia de eletricidade por dia.
- O governo anunciou medidas emergenciais, como fechamento temporário de hotéis e realocação de turistas em poucas instalações.
- O presidente Miguel Díaz-Canel reconheceu o mal-estar social, condenou a violência e disse que não haverá impunidade para vandalismo.
A sede do Partido Comunista de Cuba, o único partido autorizado na ilha, foi atacada na madrugada deste sábado (14), durante protestos contra longos apagões e a escassez de alimentos. Inicialmente pacífico, o protesto em Morón, cidade de Morón, na província de Ciego de Ávila, degenerou em vandalismo após confronto com autoridades locais. Cinco pessoas teriam sido presas, segundo o veículo estatal Invasor, que também relatou que a entrada do prédio foi apedreada e parte da rua incendiada com móveis da recepção.
Os protestos ocorrem em meio a uma grave crise econômica, agravada pela suspensão, em janeiro, das exportações de petróleo da Venezuela, após a intervenção militar dos EUA e o subsequente embargo de petróleo. Morón fica a cerca de 460 quilômetros de Havana, em uma região central do país.
Segundo moradores de Morón, que falaram à AFP sob condição de anonimato, o protesto alcançou grande adesão. Eles relataram que há apenas uma hora e meia de eletricidade diária e que a crise de combustíveis e a queda do turismo afetam milhares de pessoas. O município tem cerca de 70 mil habitantes, com hotéis fechados e desemprego em ascensão.
A/Correção oficial: o governo anunciou medidas emergenciais, incluindo fechamento temporário de alguns hotéis e realocação de turistas para outras instalações, para mitigar impactos econômicos locais. Relatos sugerem que muitos moradores perderam renda e empregos.
Vídeos divulgados nas redes mostram cenas de protesto, ataques a prédios públicos, incêndio de veículos e sons de manifestantes com gritos de apoio a reformas políticas. A cobertura reforça a tensão social associada aos apagões e à escassez de bens essenciais.
O presidente Miguel Díaz-Canel reconheceu o mal-estar provocado pelos apagões e pela escassez de alimentos, mas condenou a violência e afirmou que não haverá impunidade para os atos de vandalismo. A postura foi publicada na rede social X, conforme a comunicação oficial do governo.
Reação e desdobramentos
O episódio em Morón ocorre em meio a um acúmulo de protestos pelo país, com atenção internacional voltada aos impactos da crise econômica, da queda de produção de petróleo e das políticas de enfrentamento. Não foram divulgados detalhes adicionais sobre investigações ou responsabilizações além das medidas já anunciadas pelo governo.
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