- Lula participa do prefácio do livro de Lira Neto sobre Getúlio Vargas, com 49 falas reunidas pelo biógrafo.
- O texto registra que, no passado, Lula era contra a CLT durante sua atuação como líder sindical; hoje ele a defende.
- Lula compara o Estado Novo de Getúlio ao regime ditatorial que enfrentou na ditadura militar, destacando censura e perseguição a opositores.
- A mudança de visão de Lula ocorreu após ler a biografia de Vargas, publicada entre 2012 e 2014.
- O presidente ressalta aspectos positivos de Vargas, como a industrialização e o papel central da Petrobras, sem privilegiar as facetas mais controversas do ex‑ditador.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina o prefácio do livro “Trabalhadores do Brasil! Discursos à Nação”, do jornalista Lira Neto, que será lançado nesta semana pela Editora Contracorrente. A obra reúne 49 falas de Getúlio Vargas, desde a época de estudante até sua morte em 1954.
Lula recorre a Vargas em três páginas do prefácio para discutir a trajetória do ex-presidente. O texto traça o percurso de Vargas, de líder que instaurou o Estado Novo a líder que voltou ao poder por voto, em 1950.
O petista destaca que, quando atuava como líder sindical no ABC paulista, rejeitava a CLT. Hoje, porém, defende o regime trabalhista, lembrando que a ideia de DNA fascista atribuída à CLT não corresponde aos fatos.
A mudança de interpretação de Lula ocorreu após ele ler a biografia de Lira Neto sobre Vargas, lançada entre 2012 e 2014. O prefácio também cita a participação de Lula e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na contracapa do primeiro volume.
O texto ressalta que Lula, ao longo de seus mandatos, tem feito referências positivas a Vargas, inclusive ao preferir destacar a industrialização e a defesa da soberania nacional. Em 2006, Lula já havia utilizado uma imagem associada a Vargas para celebras o pré-sal.
Lula afirma que a reflexão sobre Vargas revela um Brasil do passado com questões que permanecem relevantes hoje. O prefácio aponta que Vargas é visto pela leitura como figura complexa, que reuniu reformas econômicas e autoritarismo em diferentes fases da história nacional.
O editor documenta, porém, que o livro de Lira Neto também traz passagens controversas de Vargas, incluindo aproximações ambíguas com o fascismo italiano. O material, segundo o prefácio, oferece leitura multifacetada do personagem histórico.
Getúlio é apresentado como figura central da história brasileira, capaz de articular avanços industriais e tensões políticas. O prefácio enfatiza a importância de discutir esse legado com base em fontes históricas e visão crítica.
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