- Paraguay recebe uma campanha de aproximação da China para perder o status de último aliado diplomático de Taiwan na América do Sul, com viagens financiadas e encontros de alto nível para mostrar oportunidades de trade e investimento.
- Participantes de viagens organizadas pela Chinese consulate em São Paulo destacaram visitas a centros de saúde e tecnologia, obras de infraestrutura e a possibilidade de ganhos econômicos se o país reconhecer Beijing.
- O presidente Santiago Peña mantém postura de apoio a Taiwan, enquanto a bancada oposicionista e parte da sociedade avaliam alternativas que possam ampliar laços com a China; há também pressão de Washington e interesses regionais.
- Dados e desdobramentos recentes apontam crescimento da presença econômica chinesa na região, aumento das importações de China em Paraguai e limitações das vantagens econômicas atuais com Taiwan, levantando discussões sobre custo-benefício de mudança de reconhecimento.
Paraguai mantém relação diplomática com Taiwan, mas observa participação cada vez maior da China em sua pauta política. Relatos de parlamentares e jornalistas que viajaram a convite do consulado chinês em São Paulo indicam uma estratégia de aproximação com Beijing, com banquetes, hospedagem de luxo e visitas a cidades chinesas.
As viagens foram descritas como parte de um esforço coordenado para atrair o apoio de parlamentares e figuras relevantes do país, em meio a promessas de investimentos, tecnologia e infraestrutura. Em entrevistas, alguns participantes disseram ter ouvido mensagens persistentes sobre vantagens de mudar de reconhecimento.
Parlamentares da oposição e jornalistas que participaram de pelo menos uma destas viagens relatam visitas a centros médicos avançados, redes de transporte de alta velocidade e reuniões com autoridades locais. A imprensa indicou que o itinerário pode sinalizar uma mudança de foco econômico e político.
No governo, o presidente Santiago Peña reafirma o apoio a Taiwan e a continuidade da linha existente de relações diplomáticas. O Ministério das Relações Exteriores enfatiza que a relação com Taiwan se baseia em princípios democráticos, direitos humanos e estado de direito, sem indicar mudanças à vista.
A China, por meio de sua pasta externa, afirmou que apoiar Taiwan não trará ganhos futuros e que cada vez mais paraguaios veem vantagens em estreitar laços com Beijing. O pedido de silêncio sobre lobbies específicos foi informado pela própria pasta, que descreveu intercâmbios como uma dupla via.
Taiwan, por sua vez, sustenta que a China tenta atrair aliados com promessas de benefícios econômicos. Em resposta, o governo taiwanês aponta esforços para manter vínculos com todos os parceiros diplomáticos atuais, sem detalhar ações específicas.
Paraguai tem atuado em alinhamento com Estados Unidos, assinando acordos de defesa e participando de fóruns sobre minerais críticos. O país também teve sanções contra ex‑líderes enfrentadas no passado, embora recentes movimentos indicarem mudanças de cenário regional.
Analistas dizem que o cenário político paraguaio pode influenciar decisões de longo prazo, com disputas internas na coalizão governista e possíveis alianças com grupos de oposição até 2028. Existem indicativos de que a pauta externa pode ganhar peso no debate interno.
Dados oficiais indicam que as exportações paraguaias são fortemente agrícolas, mas o país depende de importações de bens chineses superiores a recordes recentes. A depender da evolução das relações, o ambiente comercial pode sofrer alterações ou novos acordos serem buscados.
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