- Ben Saul, Relator Especial da Organização das Nações Unidas para a luta contra o terrorismo e direitos humanos, acusa os Estados Unidos de execuções extrajudiciais em bombardeios antidrogas no Caribe e no Pacífico.
- A campanha marítima americana desde setembro, dirigida a embarcações suspeitas de tráfico, deixou mais de 150 mortos.
- Saul afirmou que os ataques foram “execuções extrajudiciais” que violam gravemente o direito à vida.
- Dados divergem: Saul aponta 151 mortos; a American Civil Liberties Union (ACLU) cita até 157 mortos, 3 sobreviventes e 9 desaparecidos.
- Na audiência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, o representante dos EUA, Carl Anderson, disse que o tema tratou do direito da guerra e que a CIDH não tem competência; o presidente da CIDH, Stuardo Ralón, disse que a audiência é espaço de diálogo.
O relator especial da ONU para a luta contra o terrorismo e os direitos humanos, Ben Saul, afirmou nesta sexta-feira que os bombardeios antidrogas dos EUA em águas do Caribe e do Pacífico configuram execuções extrajudiciais. A declaração ocorreu durante audiência da CIDH, na Cidade da Guatemala. Segundo Saul, as operações violam o direito à vida e representam violência em uma suposta guerra contra o narcotráfico.
Segundo o relator, ao todo morreram 151 pessoas nas ações, conforme dados citados na audiência. A ONG AC Lu pelos Direitos Civis, representada por Jamil Dakwar, indicou números diferentes, apontando até 157 mortos, além de três sobreviventes e nove desaparecidos. As discrepâncias ainda não foram reconciliadas pela CIDH.
O representante dos EUA, Carl Anderson, informou que a audiência tratou do direito da guerra e que a comissão não tem competência para julgar esse tema. O presidente da CIDH, Stuardo Ralón, explicou que a sessão funciona como espaço de diálogo e não como parte de um processo formal da comissão.
Acusações e contexto
- Ben Saul afirmou que as ações dos EUA configuram violações graves do direito à vida, com ataques sem provocação contra embarcações associadas ao tráfico.
- A CIDH organiza a audiência para discutir o deslocamento militar na região e o papel dos mecanismos internacionais de supervisão.
Reações internacionais
- O governo americano sustenta que as operações foram parte de uma guerra eficaz contra o narcotráfico, sob normas de direito internacional aplicáveis a situações de conflito.
- Organizações de direitos humanos pedem transparência sobre as evidências de envolvimento das embarcações em atividades de tráfico e sobre as regras de engajamento utilizadas.
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