- Em Moscou, serviços de segurança bloqueiam o acesso à internet em telefones celulares há uma semana, afetando uso básico como mensagens, bancos e transporte.
- O porta-voz do presidente, Dmitri Peskov, afirmou que as medidas durarão enquanto forem necessárias para garantir a segurança.
- Em algumas áreas, como o centro e o interior do Metro, não há internet móvel; algumas mensagens chegam com atraso quando o usuário se reconnecta ao wifi doméstico.
- O Kremlin tenta criar uma “lista branca” de sites e apps que funcionarão durante o bloqueio e planeja restringir VPNs em três a seis meses.
- O bloqueio ocorre em meio a uma escalada de censura, com perdas econômicas estimadas para Moscou entre 3.000 e 5.000 milhões de rublos desde o início dos cortes.
O Kremlin testa o bloqueio de telefones móveis em Moscou, onde, segundo autoridades, o acesso à internet no celular está restrito há uma semana. A medida é apresentada como necessária para garantir a segurança dos cidadãos, com duração indefinida enquanto novas ações forem consideradas essenciais.
Dmitri Peskov, porta-voz de Vladimir Putin, afirmou que as medidas perdurarão enquanto forem necessárias. Ele não detalhou se a “segurança” envolve proteção dos cidadãos ou do governo. O cenário impõe limitações como impossibilidade de falar com familiares, ler notícias ou solicitar serviços via celular.
Em Moscou, cidades com alta densidade de câmeras e dispositivos de controle já registram falhas de conectividade. Em algumas áreas centrais e dentro de estações de metrô, o acesso móvel à internet deixou de funcionar por completo.
Proteções de emergência passaram a depender de mensagens SMS, redes wifi locais ou serviços de urgência, com avisos de que a conexão pode se restabelecer de forma intermitente. Usuários relatam dificuldades para solicitar transporte ou realizar pagamentos por meio de apps.
Aos poucos, o governo russo exerceu a possibilidade de desconectar a rede móvel de maior parte da população, após já ter restringido serviços de mensagens e redes sociais em diferentes fases. A medida expõe uma tendência de maior controle sobre o tráfego de dados.
Medidas e desdobramentos
Empresas de comércio online reportam aumento de demanda por serviços de mapas viáveis para navegação na cidade, com elevação de até 170% nas buscas de rotas na capital. Outros serviços, como plataformas de busca e comunicação, também registram alta nos pedidos de localização e dispositivos sem fio.
Autoridades discutem a criação de uma “lista branca” de sites e aplicativos que funcionariam durante os bloqueios de internet. O objetivo declarado é manter serviços essenciais, enquanto governos controlam conteúdos considerados ilegais.
Impactos e contexto
Especialistas apontam que o bloqueio pode intensificar a censura digital, elevando a procura por ferramentas como VPNs para contornar as restrições. O governo teria capacidade técnica para monitorar esse tráfego, com planos de limitar o uso de VPNs nos próximos meses.
Economia de Moscou já sente o peso das medidas, com estimativas de perdas entre 3 mil e 5 mil milhões de rublos desde o início dos cortes. A situação ocorre num momento de alta tensão política, com eleições parlamentares no horizonte.
Dados de pesquisas indicam queda de confiança em Putin entre parte da população, embora haja resistência a críticas diretas ao líder. Observadores veem o cerco digital como parte de um aceno de força do governo para sustentar a narrativa oficial.
O Ministério das Relações Exteriores e fontes do setor destacam que restrições contínuas podem afetar serviços cotidianos, além de aumentar o custo de operação de empresas locais. A situação ainda não tem data de retomada total do funcionamento dos serviços móveis.
Entre na conversa da comunidade