- Cidadãos de Cazaquistão votam neste domingo um referendo sobre uma nova constituição que, segundo críticos, pode permitir que o presidente Kassym-Jomart Tokayev permaneça no poder além do fim do atual mandato, em 2029.
- O texto propõe reunir as duas casas do parlamento em uma única e restaurar a vice-presidência, que seria escolhida pelo presidente.
- A constituição manteria o mandato presidencial em sete anos, com um único mandato, alteração que Tokayev já havia introduzido em 2022, abrindo a possibilidade de questionada renovação de mandato.
- Analistas avaliam que o projeto concentra poderes no cargo de chefe de Estado e não cria um sistema de freios e contrapesos, levantando preocupações sobre equilíbrio institucional.
- O ambiente econômico é volátil: crescimento aumenta, mas a inflação chega a 11,7% em fevereiro e as taxas de juros ficam em 18%, com descontentamento ligado a aumentos de impostos.
O povo do Cazaquistão vota neste domingo em um referendo sobre uma nova constituição. O pleito questiona se o texto ampliará o poder do presidente ou criará um equilíbrio maior entre os poderes. O debate envolve mudanças estruturais no sistema político do país.
A proposta prevê a fusão das duas casas do parlamento em uma única (unicâmara) e a restabelecimento do cargo de vice-presidente, escolhido pelo presidente. O atual presidente, Kassym-Jomart Tokayev, já indicou que pretende manter o compromisso de um mandato após 2029, o que alimenta a controvérsia sobre a permanência de poderes.
Segundo analistas, o projeto constitucional pode manter poderes amplos para o chefe de Estado, sem a clara implementação de freios institucionais. A ideia de limitar o mandato presidencial a sete anos, anunciada por Tokayev, permanece no texto, porém há quem questione se novas regras poderiam favorecer uma segunda candidatura futura.
Tokayev tem afirmado que o referendo representa uma transição para um modelo com maior separação de poderes, reduzindo o peso do sistema presidencial. Críticos, por sua vez, argumentam que a reforma não cria suficientes mecanismos de controle, o que poderia manter uma concentração significativa de autoridade.
A votação ocorre em um ambiente econômico desafiador, com a economia da região exposta às consequências do conflito na Ucrânia. A inflação tem passado de altos históricos, pressionando consumidores e negócios, incluindo comerciantes que sentem o impacto dos custos mais altos.
Durante a campanha, o governo enfatizou a estabilidade e o progresso institucional como objetivos do pleito. No entanto, parte da população expressou ceticismo quanto às mudanças propostas, citando preocupações com o poder político concentrado.
Em Almaty, políticos, empresários e trabalhadores observam o pleito com atenção. Muitos buscam entender como as mudanças podem afetar o dia a dia econômico e as relações com a comunidade internacional. A imprensa segue apurando dados oficiais e perspectivas de especialistas.
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