- Pesquisas mostram crescimento de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto, elevando preocupação no entorno do presidente Lula diante de um possível segundo turno.
- Visões internas apontam que o avanço de Flávio pode pressionar o Planalto a reagir politicamente diante da combinação com as suspeitas envolvendo Lulinha.
- Genial/Quaest indica empate técnico no segundo turno, com 41% para Lula e 41% para Flávio, em levantamento divulgado em 11 de março de 2026.
- Atlas/Bloomberg, divulgado no fim de fevereiro, também apontou empate técnico entre Lula e Flávio, ainda que com margem de erro próxima.
- Lulinha teve o sigilo bancário e fiscal alvo pela CPMI do INSS, caso agora em pauta no STF, com julgamento previsto para 13 de março; Lula orientou o filho a evitar situações de desgaste.
O cenário eleitoral ganhou nova tensão com o avanço de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas e as suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O entorno do presidente Lula (PT) teme que o fortalecimento do adversário amplifique o desgaste causado pelas investigações.
Pesquisas recentes apontam aproximação entre Lula e Flávio em um eventual segundo turno. A Genial/Quaest mostrou empate de 41% a 41%. Em fevereiro, Lula tinha 43% e Flávio, 38%. O estudo ouviu 2.004 eleitores entre 5 e 9 de março.
O Genial/Quaest também indicou crescimento do senador entre eleitores do pai, Jair Bolsonaro, com a taxa de conversão de 76% para 92%. Houve avanço entre eleitores de direita e independentes, segundo o levantamento. Registro no TSE BR-05809/2026.
Antes, o Atlas/Bloomberg indicou empate técnico no fim de fevereiro: 46,3% para Flávio e 46,2% para Lula. Em janeiro, Lula tinha 49,2% e Flávio, 44,9%. A pesquisa ouviu quase 5 mil brasileiros e considerou margens de erro de 1 ponto.
Dentro do PT, o crescimento de Flávio é visto como sinal de reorganização do campo conservador. Edinho Silva, presidente nacional do partido, afirmou que o senador pode catalisar um sentimento antissistema e pediu mobilização para enfrentar a oposição que tenta torná-lo palatável.
PT prepara ofensiva digital contra Flávio
Dirigentes do PT discutem uma estratégia de resposta que combine mobilização nas redes sociais. A ideia é que a militância dispute a narrativa envolvendo Flávio e as investigações sobre Lulinha, para evitar retroalimentação negativa entre os temas.
Edinho Silva destacou a necessidade de ofensiva com participação ativa de militantes, não apenas de robôs. A avaliação é que debates autênticos podem influenciar a percepção pública diante das pesquisas em ascensão do parlamentar.
Enquanto o PT planeja a reação, o Planalto tenta conter o impacto das suspeitas ligadas a Lulinha. O empresário teve o sigilo bancário e fiscal alvo de uma CPMI, decisão suspensa pelo ministro Flávio Dino, do STF. O caso vai a julgamento no STF na próxima sexta.
Assessores do governo defendem que Lulinha se expresse publicamente para esclarecer as suspeitas, reduzindo danos políticos ao presidente e à gestão. O tema é observado com cautela pela melhor forma de não ampliar desgaste.
Na última semana, Lula ligou para o filho, orientando-o a evitar situações que agravem a crise e a assumir responsabilidades se citadas em irregularidades. A quebra de sigilo apontou movimentação de cerca de 19,5 milhões entre 2022 e 2026.
Lulinha não é alvo de investigação policial direta, mas foi citado nas apurações. O nome dele apareceu em buscas contra a empresária Roberta Luchsinger, em dezembro. A defesa argumenta que os vazamentos não comprovam irregularidades.
Cenário e leituras
Analistas veem a polarização entre Lula e Flávio ganhando contornos mais definidos, ainda com muita incerteza. Flávio passa a atrair segmentos que buscam alternativas ao governo atual, segundo especialistas.
O movimento de Flávio é interpretado como fortalecimento de uma candidatura conservadora, com apoio de direita e centro. Ele prometeu detalhar um programa de governo para retomar o crescimento econômico, citando críticas à gestão atual.
No PL, a leitura é de que o processo eleitoral tende a se organizar em dois polos. Rogério Marinho, coordenador da campanha, afirmou que PT e PL devem moldar a disputa, dependendo das alianças formadas ao longo do processo.
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