- O líder do CHP, Özgür Özel, afirma que o julgamento de Ekrem İmamoğlu é político e visa impedir que ele desafie o presidente Erdogan.
- Procuradores acusam Imamoglu de chefiar uma organização criminosa para obtenção de lucro com licitações superfaturadas e suborno, acusações que ele e o CHP negam.
- Özel diz que os juízes do caso foram instruídos a tomar decisões que atendam aos interesses de Erdogan, e não a conduzir um julgamento justo.
- Imamoglu permanece detido preventivamente há quase um ano, em meio a ampla repressão contra o CHP, segundo grupos de direitos e opositores.
- Pesquisas indicam que Imamoglu poderia vencer Erdogan em uma eleição presidencial e o CHP aponta para possível adiamento ou antecipação do pleito, com Erdogan sinalizando eleições antecipadas em 2027.
O líder da oposição turca afirma que o julgamento do prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, é essencialmente político, criado para impedir que ele desafie o presidente Tayyip Erdogan no próximo pleito. Imamoglu, de 55 anos, foi levado a julgamento na abertura de um caso de corrupção que envolve mais de 400 denunciados ligados à prefeitura de Istambul. Segundo a acusação, ele chefiou uma organização criminosa para obter vantagem com licitações e suborno; ele e o Partido Republicano do Povo (CHP) negam as acusações. A leitura é de papel político, segundo OZgur Ozel, líder do CHP.
Ozel disse a Reuters que o processo não seria uma condução jurídica comum, mas sim uma decisão desejada por Erdogan. Em sua visão, os juízes atuam para atender aos objetivos do governo, não para promover um julgamento justo. O governo de Erdogan nega qualquer influência sobre o Judiciário, afirmando que as cortes atuam de forma independente. A investigação da prefeitura de Istambul foi liderada por Akın Gürlek, nomeado ministro da Justiça no mês passado.
Imamoglu permanece em detenção preventiva há quase um ano, em meio a uma ampla repressão judicial contra o CHP, segundo grupos de direitos humanos e opositores, que veem danos à democracia turca. Ozel afirmou não esperar a libertação durante o processo, destacando que apenas pressão social ou queda acentuada de popularidade de Erdogan poderiam mudar esse cenário.
Desdobramentos políticos
Segundo pesquisas, Imamoglu manteria vantagem sobre Erdogan em qualquer disputa presidencial, enquanto sondagens internas do CHP apontam um duelo acirrado entre o CHP e o AKP, com liderança estreita do CHP. Ozel avaliou que a democracia na Turquia regrediu nas últimas décadas, sugerindo que o país estaria em um patamar inferior em comparação com períodos anteriores.
O líder da oposição também sinalizou que a pressão sobre o campo opositor tende a aumentar à medida que as eleições se aproximam. A expectativa é de que Erdogan busque cumprir um calendário de eleições antecipadas, possivelmente em setembro ou outubro de 2027, para manter a opção de se candidatar novamente. Se a eleição ocorrer apenas em 2028, Erdogan não pode concorrer segundo o entendimento de Ozel, que reforçou o apelo por uma votação mais célere.
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