- A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que a Europa não pode mais ser guardiã do antigo ordem mundial e que o sistema baseado em regras já não serve para defender seus interesses, gerando turbulência na UE.
- O presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a alta representante de Política Exterior e Segurança, Kaja Kallas, discordaram; Costa ressaltou a defesa do direito internacional e de soluções multilaterais, apontando responsabilidade também a EUA e Rússia.
- O governo espanhol, via ministro José Manuel Albares, rebateu a visão disruptiva de Von der Leyen, dizendo que a UE deve defender o ordenamento internacional e que não há oposição entre ordem antiga e nova.
- A vice-presidente Teresa Ribera divergiu da chefe da Comissão, defendendo firmeza do direito internacional; houve críticas de outros comissários e chegou a ser discutida a possibilidade de uma moção de censura.
- A controvérsia revela tensões sobre competências externas da Comissão; críticas de Thierry Breton e recados sobre subsidiariedade foram apresentados, com Costa lembrando que a UE não pode agir como substituta da ONU.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, provocou reação na União Europeia ao afirmar que o ordenamento mundial baseado em regras chegou ao fim, ao justificar a operação militar liderada pelos EUA e por Israel contra o Irã. O discurso ocorreu em meio a críticas internas sobre a atuação da chefia europeia na política externa.
A fala gerou desconforto entre governos e eurodeputados, que apontam extralimitacão de competências e tom pró-alianças com Washington e Tel Aviv. O tema ganhou espaço na agenda, com pedidos de esclarecimento e sondagens sobre eventual censura à chefe da Comissão.
Costa e Kallas discordaram publicamente, destacando a necessidade de defender o sistema baseado em normas e o direito internacional. Costa, presidente do Conselho Europeu, afirmou que o mundo multipolar exige soluções multilaterais e condenou violações de direitos em várias regiões.
Teresa Ribera, vice-presidente da Comissão, também se posicionou de forma divergente, ressaltando a defesa do direito internacional. Ela afirmou que a Europa deve manter firmeza na orientação normativa, divergindo da leitura defendida por von der Leyen.
Na prática, a polêmica expõe dissidências dentro da UE sobre o papel da Comissão na política externa. Diversos comissários e grupos do Parlamento questionam a atuação autônoma da chefia europeia em temas sensíveis ao âmbito de decisão dos Estados-membros.
Dentro do governo espanhol, o ministro das Relações Exteriores enfatizou que a UE precisa defender o ordenamento internacional como forma de evitar o caos. Em Paris, o debate sobre subsidiariedade reforçou reservas sobre o equilíbrio entre instituições comunitárias e nacionais.
França também manifestou reservas, com alertas sobre a necessidade de a Comissão respeitar os tratados e manter a subsidiariedade. A postura busca evitar que a política externa seja conduzida de forma unilateral pela Comissão.
O episódio ecoa mudanças já em curso desde a legislatura anterior, quando críticos alertaram para o acúmulo de competências pela presidente. Galvanizadas, críticas vieram de diversos países e indicam uma tensão persistente entre visão institucional e liderança da UE.
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