- A escalada de hostilidades na região já provocou o deslocamento forçado de pelo menos 767.700 pessoas no Irã e no Líbano, segundo o Acnur, e deixa cerca de 14,1 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade.
- A ONU descreveu a situação como uma “grave emergência humanitária” devido à rápida escalada e à sobrecarga de respostas humanitárias.
- No Irã, o conflito gerou grande deslocamento interno, com Teerã recebendo centenas de milhares de deslocados e milhares cruzando para a Turquia; o país abriga cerca de 3,8 milhões de refugiados.
- No Líbano, mais de 667.000 pessoas foram forçadas a deixar suas casas, incluindo 200.000 crianças, com o sul, o Vale da Beká e Beirute entre as áreas mais afetadas.
- A situação leva a riscos de proteção, agravamento de necessidades humanitárias e pressão sobre países vizinhos e canais de proteção, com risco de novos fluxos para a região e, potencialmente, para a Europa.
O aumento do conflito no Oriente Médio provocou o deslocamento forçado de pelo menos 767.700 pessoas entre Irã e Líbano, segundo a Acnur. A escalada iniciada em 28 de fevereiro expõe a população civil a riscos de proteção, ampliando a crise de refugiados para cerca de 14,1 milhões de pessoas na região.
Em Teerã, parte significativa da população utiliza a região para buscar abrigo, com cerca de 100.000 iranianos deslocados nas 48 horas iniciais e 1.000 a 2.000 veículos deixando a capital diariamente. Além disso, milhares cruzaram para a Turquia em busca de proteção. A Acnur destaca que muitos deslocados permanecem dentro das próprias fronteiras.
Nações Unidas alertam para a pressão sobre agências humanitárias e para a possibilidade de novos deslocamentos internos. A entrega de ajuda enfrenta dificuldades, o que pode limitar a proteção a refugiados e deslocados e reduzir a capacidade de países vizinhos de acolhê-los. Organizações pedem recursos adicionais para responder à crise.
No Líbano, a intensificação dos bombardeios israelenses após a entrada da milícia Hezbollah na guerra obrigou mais de 667.000 pessoas a deixarem seus lares, incluindo 200.000 crianças. Regiões como o sul, o vale da Beqá e Beirut foram as mais afetadas, com dezenas de milhares buscando abrigo em albergues coletivos.
O conflito também elevou o número de mortos e feridos, com mais de 400 mortos e cerca de 1.100 feridos até a segunda semana de confrontos. Observa-se que a fronteira com a Síria recebe fluxos significativos de deslocados, incluindo deslocados que retornam por conta da instabilidade regional.
A União Europeia acompanha a crise com cautela. Relatórios indicam que, mesmo sob risco de novos deslocamentos, não há confirmação de uma onda de refugiados rumo à Europa. Espanha, por meio de seu ministro do Interior, reconhece a fragilidade regional, destacando a necessidade de proteção para quem busca refúgio.
Em Irã, o país recebe 3,8 milhões de refugiados, principalmente afegãos, o que o torna o estado com o maior grupo refugiado do mundo. Caso haja colapso, a situação dessas comunidades pode piorar, segundo a Acnur. A organização enfatiza que a região já enfrentava vulnerabilidade elevada antes do choque atual.
Líbano
Mais de 800.000 pessoas, entre libaneses e sírios, foram deslocadas no Líbano, após ordens de evacuação de áreas perto do sul do país. Bombardeios atingiram Beirut, o sul e o leste, incluindo o campo de refugiados Bedawi pela primeira vez neste ciclo de hostilidades. A situação de abrigos está crítica, com relatos de superlotação.
As fronteiras com a Síria também registram movimento intenso. Em números recentes, cerca de 78.000 sírios e 7.800 libaneses cruzaram para a Síria nos últimos dias. Observadores destacam que a região vive uma janela de instabilidade, com potenciais impactos a longo prazo para a população refugiada.
Acredite-se que grandes fluxos de deslocados possam persistir, com impactos humanitários significativos para países vizinhos e para a própria Irã, onde a população refugiada depende de apoio internacional contínuo. Organizações reiteram pedido por recursos adicionais para a resposta emergencial.
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