- Cardeal Robert W. McElroy, arcebispo de Washington, disse que a guerra dos EUA com o Irã não é moralmente legítima, indo além do que o papa já pediu em apelos mais moderados.
- Segundo ele, não houve “causa justa” nem “intenção correta”, pois não houve ataque existente ou iminente do Irã e os objetivos da ofensiva parecem confusos.
- McElroy afirmou que a guerra não atende ao ensino da Igreja sobre a guerra justa e pode trazer mais danos do que benefícios, gerando ansiedade entre fiéis.
- O Vaticano tem feito apelos por diálogo e pelo fim do conflito, com o Papa pedindo cessar bombardeios e abrir espaço para negociações.
- O secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, alertou sobre o risco de erosão do direito internacional se guerras preventivas forem aceitas.
A arcabouço da posição papal sobre o conflito no Irã ganhou um tom mais contido com declarações de Cardeal Robert W. McElroy, arcebispo de Washington. Em entrevista à Catholic Standard, ele afirma que a ofensiva liderada pelos EUA e por Israel contra o Irã não atende ao critério moral de justa causa, pois não haveria ataque existente ou iminente verificado de Irã. Segundo McElroy, uma guerra preventiva é incompatível com o ensino da Igreja.
O arcebispo sustenta que o conflito falha ainda o critério da real intenção, destacando incertezas sobre os objetivos claros, que variam entre destruição de capacidades militares do Irã, mudança de regime e diferentes perspectivas de governança no país. Ele afirma que a clareza de propósito é essencial para justificar uma guerra segundo a tradição católica.
Em resposta, Cardeais de outras igrejas também se manifestaram. Cardeal Blase J. Cupich, de Chicago, criticou publicamente um vídeo do White House que misturava cenas de guerra com trechos de filmes de ação, chamando a produção de desumana. A posição de Cupich reforça o debate sobre a condução da narrativa pública em meio ao conflito.
No Vaticano, o tom tem sido mais moderado. O Papa tem feito apelos reiterados por diálogo e pelo fim dos enfrentamentos na região, destacando a necessidade de abrir espaço para negociações. O secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, advertiu que a ideia de guerras preventivas pode fragilizar a ordem internacional e ampliar o risco de conflitos globais.
McElroy disse ainda ter visto elevada apreensão entre fiéis de sua arquidiocese desde o início da ofensiva, com preocupações sobre o envolvimento dos EUA em uma escalada maior. Alguns paroquianos reconhecem a legitimidade de buscar mudanças políticas no Irã, mas alertam para as consequências de uma guerra prolongada. Outros defendem que a intervenção não basta para alcançar mudanças desejadas.
O arcebispo afirmou que, para os católicos, é essencial pedir paz e buscar o fim imediato do conflito. Também ressaltou a responsabilidade cívica de comunicar posições aos representantes eleitos e apoiar quem sofre com a violência, sem aceitar que a guerra se arraste sem um objetivo legítimo reconhecido pela doutrina da Just War.
Entre na conversa da comunidade