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Banimento de anúncios de junk food no Reino Unido pode ser ineficaz

Banimento de publicidade de junk food no Reino Unido pode afetar apenas 1% do gasto anual com anúncios, levantando dúvidas sobre a eficácia da medida

The government has hailed its restrictions as decisive and world-leading, but experts suggest otherwise.
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  • A proibição de anúncios de alimentos com alto teor de gordura, sal e açúcar no Reino Unido, em vigor desde 5 de janeiro, deve abranger apenas cerca de 1% do gasto anual em publicidade de alimentos e bebidas.
  • A estimativa de impacto, feita pela Nesta, é de que a regulamentação cubra 190 milhões de libras, ou 8% do gasto total de 2,4 bilhões de libras, e que passe para apenas 20 milhões de libras com o tempo.
  • Empresas devem redirecionar parte dos gastos do TV antes do horário nobre e da publicidade online para outdoors e contas próprias em redes sociais, não abrangidos pela regra.
  • A Nesta aponta que falhas e brechas, além de ajustes motivados pela indústria, reduzem a eficácia da medida, podendo fazê-la de “tigre de papel”.
  • Especialistas criticam a política por manter exceções e não abranger todos os tipos de alimento, ressaltando que a maior parte dos gastos com produtos ricos em gordura, sal ou açúcar fica de fora.

O governo do Reino Unido anunciou uma proibição de publicidade de alimentos com alto teor de gordura, sal e açúcar, válida para TV antes das 21h e para conteúdo online. A medida, que entrou em vigor em 5 de janeiro, visa reduzir a obesidade infantil.

Entretanto, pesquisas indicam que a norma foi enfraquecida por amplas exceções e lacunas, o que pode tornar a política pouco efetiva. Um estudo da Nesta aponta que as regras cobrem apenas uma fração do gasto anual com anúncios de alimentos e bebidas.

Segundo a Nesta, o spend anual com publicidade nesse setor é de cerca de 2,4 bilhões de libras. A estimativa é de que o alcance da nova regulação reduza esse montante para apenas 190 milhões de libras, ou 8%, com o tempo caindo para cerca de 20 milhões.

A ausência de cobertura de publicidade externa e de contas próprias de redes sociais das marcas é apontada como principal vetor de evasão. Profissionais da área afirmam que companhias devem migrar parte do orçamento para outdoors e canais próprios, que não são regulamentados.

John Barber, da Nesta, destacou que a medida foi anunciada há oito anos e passou por oito consultas públicas e quatro atrasos. Segundo ele, o lobby da indústria contribuiu para o enfraquecimento, transformando a política em algo pouco eficaz.

Ações e reações

O documento de Nesta aponta brechas como o registro de apenas alguns tipos de produtos, a permissão de publicidade de marcas e a não abrangência de publicidade externa. Mais de 60% dos itens com alta concentração de gordura, sal e açúcar ficariam fora.

Kawther Hashem, pesquisadora ligada à Action on Sugar, disse que os gatilhos para mudanças foram reduzidos e o Reino Unido pode ficar com regras insuficientes para proteger crianças contra a propaganda de alimentos pouco saudáveis.

Profissional da Bite Back, D’Arcy Williams, afirmou que as empresas de alimentos costumam explorar brechas para deslocar o marketing para ambientes sem regulação, mantendo o apelo de produtos não saudáveis.

Contexto institucional

O Department of Health and Social Care foi contatado pela imprensa para comentar o tema. Autoridades públicas destacam que a medida é vista como uma ação pioneira, ainda que com limitações apontadas por especialistas.

Profissionais de saúde pública apontam que a pressão de setores industriais influentes tem dificultado a adoção de políticas mais abrangentes. Especialistas ressaltam a necessidade de equilíbrio entre saúde pública e interesses comerciais.

A discussão acompanha críticas recentes sobre políticas de obesidade no país, com autoridades reconhecendo a importância de ações eficazes e de longo prazo para reduzir a obesidade entre crianças e adolescentes.

Perspectivas futuras

Os especialistas defendem que o governo reavalie lacunas da proibição e avalie o impacto real nas campanhas de marketing, incluindo publicidade externa e plataformas próprias. A intenção é ampliar a proteção ao público infantil sem prejudicar a atividade econômica.

O debate envolve organizações de saúde, consumidores e a indústria, cada uma apresentando dados sobre custos, benefícios e alcance das novas regras. A expectativa é de futuras avaliações e ajustes na política.

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