- Brasil encara a escalada entre EUA, Israel e Irã e avalia atuar como mediador, sem se posicionar apenas como terceiro neutro.
- Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil, afirma que apoiar EUA e Israel criaria um precedente de violação à lei internacional, deixando o Brasil vulnerável a pressões externas.
- O ínicio do conflito envolve questões de não proliferação: Irã e Brasil são signatários do tratado e estão sujeitos às inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica.
- O Itamaraty condenou os ataques e o governo avalia a possibilidade de negociar entre Washington e Teerã; o embaixador iraniano agradeceu o posicionamento brasileiro.
- A Federação Árabe Palestina do Brasil defende que o Brasil também recupere a indústria de defesa, incluindo caças, mísseis, frota marítima e submarinos de propulsão nuclear para proteger interesses nacionais.
O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no fim de semana marcou um novo capítulo de hostilidades na região, com impactos diplomáticos regionais e debates sobre o papel do Brasil. O episódio é apresentado como uma escalada desde décadas de tensão, incluindo ações históricas entre Ocidente e Irã.
Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil, afirma que o Brasil tem um papel relevante na contenção do conflito, mas não deve atuar apenas como mediador neutro. Segundo ele, um precedente fora da legalidade internacional para energia nuclear deixaria o Brasil vulnerável a pressões externas, inclusive de Donald Trump, caso o país apoie EUA e Israel. Rabah relembra acusações ocorridas em 2005 sobre o programa nuclear brasileiro.
Ainda conforme Rabah, o Irã é signatário do Tratado de Não Proliferação e passa por inspeções da AIEA, o que, segundo ele, reforça a necessidade de alinhamento com normas internacionais para evitar interpretações apressadas de violação.
O Itamaraty condenou as agressões e manifestou preocupação com a escalada na região do Golfo. O embaixador iraniano, Abdollah Nekounam, agradeceu as declarações do Brasil e disse que o posicionamento brasileiro valoriza soberania e independência dos governos.
O governo brasileiro avalia a possibilidade de atuar como mediador direto nas negociações entre Washington e Teerã. Aliados do presidente Lula orientam manter o tom moderado nas críticas a Trump e priorizar contatos para facilitar um acordo entre as partes.
Para Rabah, além da mediação, o Brasil deveria considerar o fortalecimento de sua indústria de defesa, com foco em caças, mísseis de defesa e uma frota marítima capaz de proteger o Atlântico e as reservas brasileiras de petróleo. A visão é ampliar a capacidade estratégica nacional diante do cenário regional.
O que motiva os EUA e Israel
Segundo o presidente da Fepal, os EUA buscam manter a influência imperial, a primazia do dólar e conter a China e os Brics, além de sustentar a indústria bélica nacional. O Irã, ao produzir de forma autônoma, seria um competidor nesse mercado de armamentos.
Para Rabah, Israel tem como objetivo avançar o que ele descreve como o projeto do “Grande Israel”, incluindo territórios da região. O analista afirmou que esse projeto envolve a desmilitarização de forças que se opõem a essa visão, com foco no Irã como principal oponente, pela sua aliança com Brics e pela resistência ao domínio do dólar.
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