- Daniel Vorcaro foi novamente preso pela Polícia Federal, nesta quarta fase da Operação Compliance Zero, sob determinação do ministro André Mendonça, para apuração de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos.
- A investigação aponta uma milícia vinculada ao grupo de Vorcaro, conhecido como “A Turma”, que atacava jornalistas, funcionários e concorrentes; há intercâmbios que citam o líder “Sicário”.
- Fabiano Zettel, pastor, entregou-se às autoridades; é considerado envolvido em fraudes do Master e teria recebido até um milhão de reais por mês do grupo liderado por “Sicário”.
- Mensagens citadas no processo mencionam Ciro Nogueira e Hugo Motta; o ministro bloqueou bens de até 22 bilhões de reais para interromper a movimentação de ativos do grupo.
- A PF também investiga ligações com o FBI e a Interpol, além de mandados de busca em funcionários do Banco Central; defesa de Vorcaro e de Zettel negam as acusações.
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, voltou a ser preso nesta quarta-feira, 4, sob determinação do ministro André Mendonça, do STF, que assumiu a relatoria do caso em fevereiro. A terceira fase da Operação Compliance Zero investiga ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos.
Vorcaro já havia passado pela carceragem da Polícia Federal em novembro. A prisão atual ocorre após a liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central. Investigações apontam a existência de uma milícia privada ligada ao banqueiro, voltada a espionagem e intimidação de desafetos.
O grupo, conhecido como A Turma, incluía o ex-policial Marilson Silva e o conhecido “Sicário”, apontado como coordenador. Mensagens interceptadas indicam ordens de ataques a jornalistas, funcionários e adversários, inclusive contra um chef de cozinha ligado a um ex-funcionário. Sicário foi preso, mas morreu na cela.
Operação e desdobramentos
Fabiano Zettel, pastor da Igreja Lagoinha e cunhado de Vorcaro, entregou-se às autoridades em São Paulo. Ele é alvo de mandado de prisão e é apontado como operador de pagamentos do grupo, com movimentação de até 1 milhão de reais mensais. Zettel já havia sido preso em janeiro ao tentar seguir para Dubai.
Entre os alvos, também aparece o senador Ciro Nogueira (PP), citado em mensagens como possível aliado do banqueiro. A investigação sugere ligações com emendas para ampliar o Fundo Garantidor de Créditos, o que, se aprovado, poderia impactar o risco de perdas do FGC. Nogueira negou proximidade com Vorcaro.
A investigação aponta ainda que o grupo tinha acesso a dados sigilosos de órgãos públicos, obtidos por meio de credenciais de terceiros. Além da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, há menções a acesso a organismos internacionais, como FBI e Interpol, segundo o despacho de Mendonça.
Dois servidores do Banco Central, Bellini Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização, foram alvo de buscas. Eles teriam atuado como consultores informais de Vorcaro. Mendonça ordenou o bloqueio de até 22 bilhões de reais em ativos para interromper a movimentação financeira do grupo. A operação centra-se em fraudes, venda de títulos podres e lavagem de dinheiro no universo do Master.
Os advogados de Vorcaro negam as acusações e prometem esclarecer os fatos. Os defensores de Zettel dizem que o empresário está à disposição das autoridades, ressalvando dificuldades de acesso aos autos.
Contexto financeiro
A operação ocorre em meio à liquidação do Master, vinculada a prejuízos de cerca de 52 bilhões de reais ao Fundo Garantidor de Créditos. A Justiça permanece em investigação, com novas informações tendo sido apresentadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.
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