- Ala liderada por Guilherme Boulos no PSOL lançou um manifesto pró-federação com o PT, visando reunir assinaturas a favor da aliança.
- O abaixo-assinado já soma mais de 20 mil adesões, com signatários como Érika Hilton, Luciene Cavalcante, Ermínia Maricato, Renato Janine Ribeiro e Gonçalo Vecina.
- A justificativa afirma que a federação pode melhorar a coordenação eleitoral e fortalecer a presença parlamentar, mantendo autonomia política.
- No PSOL, há oposição interna à fusão: parte da militância teme que a federação prejudique candidaturas próprias, enquanto outra ala acredita que pode descaracterizar o programa do partido.
- Mesmo com as dúvidas, há expectativa de definição após a reunião prevista para este final de semana sobre a entrada do PSOL na federação Brasil da Esperança.
O ala do PSOL liderada por Guilherme Boulos, hoje com atuação na Secretaria-Geral da Presidência, lançou um manifesto pró-federação com o PT. A iniciativa ocorre às vésperas da reunião que definirá a entrada da sigla na Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PV e PCdoB. O abaixo-assinado já soma mais de 20 mil adesões, reunindo nomes de peso da esquerda brasileira.
Entre os signatários, além de Boulos, aparecem as deputadas Érika Hilton e Luciene Cavalcante, a professora emérita da USP Ermínia Maricato, o ex-ministro Renato Janine Ribeiro e Gonçalo Vecina, ex-presidente da Anvisa. O grupo alega que a federação permitiria coordenar melhor as forças nas eleições e ampliar a presença parlamentar, defendendo autonomia política dentro da aliança.
O manifesto sustenta que a união representa um avanço político para enfrentar a extrema-direita e aponta exemplos internacionais onde convergência progressista superou blocos conservadores. Conforme o documento, a esquerda precisa agir com unidade para o momento histórico, sem abrir mão de propostas de esquerda.
Cenário interno no PSOL
Formalizado na semana passada, o convite do PT para integrar a federação divide opiniões dentro do PSOL. Enquanto o grupo Revolução Solidária, que inclui Boulos e Hilton, é favorável à aliança, alas como Primavera Socialista e Movimento Esquerda Socialista se opõem. Críticos argumentam que a federação pode prejudicar candidaturas próprias nos estados ao favorecer nomes petistas.
Outra ala encara a aproximação como fator capaz de descaracterizar o projeto político do partido, que nasceu em 2005 como dissidência do PT. No debate interno, há resistência à ideia de que a fusão comprometeria a autonomia do PSOL e seu programa de esquerda.
Caciques petistas, por sua vez, comunicam cautela com a união, dada a atuação do PSOL em temas governamentais, incluindo posições contrárias a algumas medidas do governo Lula, ainda que o PSOL controle dois ministérios. O tema passou a compor o radar das legendas desde o fim do ano passado, gerando desconfiança mútua.
Caminhos e perspectivas
Especialistas avaliam que a federação pode ampliar a coordenação política, acelerar respostas em crises e ampliar a representação progressista no Congresso. Segundo Josué Medeiros, da UFRJ, a federação poderia reduzir tensões internas como votações estratégicas, ao estabelecer posição integrada entre as câmaras.
Para Medeiros, a possibilidade de regras próprias para a federação, como primárias abertas e necessidade de consenso para temas relevantes, poderia fortalecer a tomada de decisão coletiva. O pesquisador aponta que, em outros países, esse formato tem funcionado como mecanismo de construção de unidade sem ampliar erros de gestão interna.
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