- Lauro Jardim, colunista do O Globo, foi citado em mensagens da Polícia Federal na terceira fase da Operação Compliance Zero, e o banqueiro Daniel Vorcaro foi preso novamente.
- Foi apurado que Vorcaro discutiu a simulação de um assalto para intimidar o jornalista e “prejudicar violentamente” sua atuação na imprensa.
- As mensagens teriam sido trocadas em um grupo chamado “A Turma”, que reunia pessoas com funções diversas, envolvendo, entre outros, um ex-diretor do Banco Central e um policial civil aposentado.
- Investigações indicam pagamentos mensais de cerca de R$ 1 milhão a Felipe Mourão, coordenador de ações de vigilância, financiados por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
- A Associação Nacional de Jornais manifestou solidariedade ao O Globo e a Lauro Jardim, repudiando as ameaças e elogiando a atuação da Polícia Federal e do ministro André Mendonça.
Lauro Jardim é reconhecido como uma das vozes mais influentes do jornalismo político brasileiro. Colunista do O Globo, construiu a carreira revelando bastidores do poder em Brasília, com passagens pela IstoÉ, Jornal do Brasil e Veja. Em 2015 retornou ao O Globo, onde permanece com foco em informações exclusivas sobre política, economia e temas correlatos.
Nesta quarta-feira, 4 de agosto, o jornalista voltou ao centro das manchetes após ser citado em mensagens apreendidas pela Polícia Federal na terceira fase da Operação Compliance Zero. O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é apontado como responsável por discutir a simulação de um assalto para intimidar Jardim e silenciar a imprensa.
Segundo a investigação encaminhada ao STF, Vorcaro foi preso novamente na nova etapa. A decisão assinada pelo ministro André Mendonça aponta indícios de que o objetivo era prejudicar o colunista de modo violento, para frear reportagens contrárias aos seus interesses privados. As mensagens indicam sugestões de monitoramento e agressões.
Plano de intimidação
As comunicações revelam que o grupo conhecido como “A Turma”, do qual Vorcaro participava, discutia ações para acompanhar Jardim. Entre os participantes haveria um ex-diretor do Banco Central, um ex-chefe de departamento da instituição, um policial civil aposentado e Felipe Mourão, designado para coordenar vigilância e monitoramento. Mourão também utilizava credenciais de terceiros para realizar consultas em sistemas restritos.
Dados da PF apontam ainda indícios de pagamentos mensais de cerca de R$ 1 milhão a Mourão, repassados por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, para financiar as atividades do grupo. O Globo repudiou as ameaças contra Jardim e destacou que a liberdade de imprensa é pilar da democracia.
Reações e encaminhamentos
A_ANJ_ divulgou nota de solidariedade ao O Globo e ao colunista, repudiando a tentativa de intimidar jornalistas. A entidade elogiou a atuação da Polícia Federal e as providências adotadas pelo ministro Mendonça para assegurar o livre exercício da imprensa. O caso permanece em investigação no STF.
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