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Como a suposta morte de Khamenei por Trump e Israel alimenta a paranoia de Putin

Putin encara dilema estratégico: morte de Khamenei, apoiada por Trump, tensiona a relação de Moscou com Washington e seus vínculos no BRICS

Russian President Vladimir Putin meets with Iranian Supreme Leader Ayatollah Ali Khamenei in Tehran on Nov. 23, 2015.
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  • A morte do líder iraniano Aiatolá Ali Khamenei em ataque dos EUA e de Israel complica a posição de Putin, que tem entre seus aliados históricos alguém atingido com apoio de outra potencia parceira.
  • Putin condenou o assassinato em mensagem ao presidente do Irã, mas a nota foi redigida de modo a não fazer acusações diretas aos Estados Unidos.
  • A Rússia teme prejuizar sua relação com Donald Trump, ainda que tenha interesse estratégico em manter espaço de manobra com o auge americano.
  • O Kremlin evita críticas públicas explícitas aos EUA, deixando as acusações para a diplomacia e para a imprensa estatal, enquanto busca manter o relacionamento com Trump e aliados próximos.
  • O episódio também reacende questionamentos sobre a ordem internacional e a estratégia russa em relação à Ucrânia, além de acordos internos sobre sucessão e poder no cenário doméstico.

O governo dos EUA, em parceria com Israel, realizou um ataque que tirou a vida do líder iraniano, Ayatollah Ali Khamenei. O episódio coloca Vladimir Putin diante de um dilema geopolítico, já que o Kremlin tem laços históricos com o Irã e com a China, membros do bloco BRICS. A operação também envolve o envolvimento direto de Donald Trump, hoje à frente de uma postura agressiva em relação a regimes rivais.

Moscou mostrou silêncio público intenso sobre a responsabilidade pelo ataque, mantendo, no entanto, uma posição cautelosa. A declaração de Putin ao presidente iraniano Masoud Pezeshkian criticou o assassinato como violação de normas internacionais, sem atribuir diretamente a responsabilidade aos EUA. O texto publicado no site do Kremlin evitou acusações diretas.

A crise ocorre em um momento em que a Rússia busca manter uma relação especial com Washington, ao mesmo tempo em que atua no teatro da Ucrânia e de outros focos regionais. A imprensa estatal russa tem adotado um tom crítico aos EUA, destacando a política de neutralidade favorável ao diálogo, ainda que sem romper com Trump.

Dilema para a sphere de influência

Para o Kremlin, o ataque envolve a esfera de influência de Moscou, não apenas geográfica, mas também econômica e estratégica dentro do BRICS. A Rússia teme que apoiar Iran possa provocar retaliações de Washington, prejudicando a neutralidade desejada na guerra russo-ucraniana.

Putin tem buscado manter uma relação estável com Trump, incluindo contatos com figuras próximas como Jared Kushner e Steve Witkoff. A relação com o presidente americano tem sido apresentada como uma linha de contenção entre cooperação e confronto.

Impactos geopolíticos e internos

Analistas veem o episódio como uma possível guinada na política externa russa, que pode reduzir a margem de manobra em negociações com Washington. O governo russo já utilizava a retórica antiamericana nas suas comunicações oficiais, ampliando o distanciamento diplomático.

O assassinato de um líder estrangeiro serve como lembrança de que, em certos sistemas, o status de chefia de Estado pode se tornar alvo rapidamente. A situação alimenta debates sobre sucessão e estratégia de poder dentro do aparato governamental russo.

Caminhos futuros

O Kremlin não sinalizou apoio direto a Iran, o que evitaria confrontos explícitos com os EUA. A prioridade parece ser preservar a neutralidade amistosa com Washington para manter espaço de manobra na guerra da Ucrânia e possíveis conversas futuras sobre sanções.

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